Foi uma “noite em claro” para muitos diplomatas dos países do Golfo e em Israel. Na noite desta quarta-feira, o Irão fechou quase totalmente o seu espaço aéreo, no que poderia ser um prenúncio para um ataque norte-americano ao Irão. No entanto, após movimentações diplomáticas nos bastidores, os Estados Unidos da América (EUA) não agiram militarmente contra território iraniano, ainda que o Presidente dos EUA, Donald Trump, tenha prometido aos manifestantes que a “ajuda estava a caminho”.

Um ataque poderia ter mesmo acontecido na noite desta quarta-feira. Mas Donald Trump terá sido persuadido a não atacar — pelo menos para já — o Irão. O principal objetivo dos ataques seria derrubar o regime liderado pelo ayatollah Ali Khamenei. Uma ofensiva militar, segundo os aliados de Washington no Médio Oriente e algumas conclusões da equipa de conselheiros do Presidente norte-americano, poderia não ser eficaz para concretizar esse objetivo.

Arábia Saudita, Egito, Omã, Qatar e Turquia. Estes cinco países terão sensibilizado a presidência norte-americana para os riscos que acarretaria uma operação militar no Irão, no que foi descrito como um “esforço diplomático frenético e à última hora”. Em declarações à Agence France-Presse, uma fonte saudita disse que conseguiram que Donald Trump desse “mais uma chance ao Irão”, para que Teerão “mostrasse boas intenções”.

“Foi uma noite em claro. A comunicação ainda está em curso para consolidar a confiança e o bom ambiente atual”, referiu a mesma fonte da Arábia Saudita. Os países do Golfo temem uma eventual retaliação iraniana que atinja as bases norte-americanas no Médio Oriente. Para além disso, receiam que o Irão caia numa guerra civil e que isso torne a situação interna ainda mais complexa.

Israel também não quererá, para já, que os Estados Unidos ataquem o principal rival geopolítico no Médio Oriente. Segundo avançou o New York Times, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, falou com Donald Trump para adiar, pelo menos para já, um ataque ao Irão.

Ainda assim, a ameaça continua a pairar sobre o Irão. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, indicou esta quinta-feira que o Presidente e a sua equipa “têm comunicado ao regime iraniano que, se a matança continuar, haverá consequências”.

“O Presidente recebeu uma mensagem [a garantir] que a matança e as execuções vão parar”, frisou, acrescentando que Donald Trump “entende que havia 800 execuções programadas [para esta quarta-feira] e que foram suspensas”. A situação continua a ser “monitorizada”, advertiu a responsável da presidência norte-americana, declarando: “Todas as opções permanecem em cima da mesa”.   

A par da pressão diplomática, os conselheiros do Presidente norte-americano também entenderam que as condições não eram as melhores para atacar já o Irão. Donald Trump tem um objetivo, avançou a NBC News: “Se ele faz alguma coisa, ele quer que seja definitivo”. Dito doutro modo, o líder dos EUA pretende uma ação eficaz e rápida para derrubar o regime dos ayatollahs — e não envolver o país numa guerra longa e sangrenta.

Os conselheiros terão dito a Donald Trump que o regime não colapsaria facilmente se houvesse um ataque esta quarta-feira. De acordo com o Wall Street Journal, haveria outro risco: que se iniciasse uma guerra regional. Para que isso não aconteça, os Estados Unidos necessitam de aumentar as capacidades militares no Médio Oriente, que sejam capazes de proteger também os aliados na região.

Ora, os Estados Unidos estão precisamente a fazer isso. O porta-aviões Abraham Lincoln deverá ser transferido desde o Mar do Sul da China para o Médio Oriente — e deverá demorar uma semana para chegar àquela região do mundo. A Fox News adiantou também que os EUA vão aumentar o poderio naval, terrestre e aéreo, de maneira a ter as condições necessárias para atacar eventualmente atacar o território iraniano.

Uma fonte conhecedora do processo referiu ao canal de televisão que a ação militar, a concretizar-se, “será diferente e mais ofensiva”. Estão a ser desenhadas várias opções para eventualmente atacar o Irão. Tudo vai depender da maneira como o regime iraniano vai lidar com as manifestações nas ruas nos próximos tempos.