A AHS Investimentos, de Miguel Pais do Amaral, delineou um plano para reembolsar os credores dos 58 milhões de euros que estes ainda têm por receber, segundo noticiou o Expresso, ainda que o empresário tenha solicitado cerca de três anos de carência de capital, para só iniciar estes pagamentos a 15 de dezembro de 2028. A empresa atravessa neste momento o seu terceiro Processo Especial de Revitalização (PER) da última década.


Segundo o calendário de reembolsos publicado no portal Citius, a AHS deverá pagar 3% do que deve até ao dia 15 de dezembro de 2028, sendo que a última parcela – que representa 80% do total do valor em falta aos credores – deverá ser reembolsada daqui a sensivelmente 7 anos, no final de 2032.


E numa altura em que o PER carece ainda de aprovação – será votado no dia 19 de janeiro -, a AHS nota que a aprovação do plano pelos credores “permitirá à sociedade assegurar a sua viabilidade e continuidade, pagando a sua dívida de forma compatível com os fluxos de caixa estimados”, ressalvando que a sua não aprovação “geraria seguramente um valor significativamente inferior para os credores” – estando entre os maiores os bancos Caixa Geral de Depósitos (CGD), Novo Banco e Abanca.


Para pagar aos respetivos credores, a AHS irá recorrer à Norwind, empresa energética com sede no Brasil, estimando-se que possa vir a conseguir receitas de 6,4 milhões de euros em 2031 e de mais de 58 milhões em 2032. Além disso, parte do dinheiro virá ainda da venda de terrenos no país da América do Sul, o maior dos quais é uma propriedade com 44 mil hectares no estado da Baía, conhecida como a Fazenda Campo Largo, que permitirá à AHS encaixar mais de 11 milhões em 2032.


O empresário conta ainda conseguir faturar 1 milhão de euros com a venda de obras de arte por si detidas até 2027. Espera ainda vir a receber 1,5 milhões por ano, entre 2026 e 2028, e 4,5 milhões em 2029, referentes à sua participação no The Edge Group, ao qual acrescem 6 milhões de euros com a venda de um terreno da Top Building no Algarve.


Antes do atual PER, a empresa de Pais do Amaral já teve processos similares em 2017 e 2021. A sociedade criada há cerca de 21 anos reporta custos de funcionamento de 900 mil euros por ano, contando com um total de oito funcionários.