A NASA iniciou este sábado, 17 de janeiro, o transporte do foguetão Space Launch System (SLS) rumo ao Complexo de Lançamento 39B, no Centro Espacial Kennedy, na Florida. A movimentação prepara o veículo para a histórica missão tripulada Artemis II, rumo à Lua, cujo lançamento está oficialmente previsto para o dia 6 de fevereiro de 2026.
Este “rollout” marca a fase final de preparativos para a primeira viagem tripulada à vizinhança lunar em mais de meio século. O propulsor gigante começou a sua jornada de 6,5 quilómetros a partir do Edifício de Montagem de Veículos (VAB) logo ao início do dia, transportado pelo massivo Crawler-Transporter 2 a uma velocidade de 1,6 km/h.
O foguetão mais poderoso de sempre
O SLS (Space Launch System) é a peça central do regresso da humanidade à Lua. Embora o histórico Saturn V, que levou as missões Apollo ao nosso satélite naural, fosse ligeiramente mais alto, o SLS detém o título do foguetão mais poderoso alguma vez construído pela NASA a entrar em operação.
Possui uma potência bruta recorde: no momento da descolagem, os seus motores geram cerca de 3,9 milhões de quilogramas de impulso (39,1 milhões de Newtons), o que representa um aumento de 15% em relação ao poder do Saturn V. Com 98 metros de altura, o foguetão pesa cerca de 2,6 milhões de quilogramas quando totalmente abastecido e é capaz de impulsionar a cápsula Orion a velocidades superiores a 36.000 km/h para escapar à gravidade terrestre.
A cápsula Orion: Um “T0” para 10 dias em ambiente de alta tecnologia
No topo do propulsor situa-se a cápsula Orion, onde os quatro astronautas viverão durante a missão. Esta peça de engenharia é concebida para proteger a vida no ambiente hostil do espaço profundo.
O interior oferece cerca de 9 metros cúbicos de espaço habitável –comparável ao volume de duas carrinhas comerciais. É aqui que a tripulação terá de dormir, comer, exercitar-se e trabalhar.
A cápsula é acoplada ao Módulo de Serviço Europeu (ESM), fornecido pela Agência Espacial Europeia (ESA). É esta peça que fornece eletricidade, água, oxigénio e controlo térmico.
Essencial é também o escudo térmico, pois sem ele a cápsula explodiria no no regresso à Terra. A Orion enfrentará temperaturas de 2800°C pela fricção gerada durante a reentrada na atmosfera, pois vem a uma velocidade de quase 40.000 km/h antes do splashdown (amaragem) no Oceano Pacífico. Este escudo térmico é o maior alguma vez construído.