Relatório revela mudança no perfil nutricional global e acende alerta para consumo excessivo de ultraprocessados
O cenário representa uma inversão histórica. Em 2000, os dados apontavam 13% de desnutrição e apenas 3% de excesso de peso nessa mesma faixa etária. (Foto: Divulgação)
A obesidade infantil já supera a desnutrição entre crianças e adolescentes no mundo. É o que revela o mais recente relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), ao indicar que 9,4% das crianças de 5 a 19 anos estão acima do peso, enquanto 9,2% apresentam baixo peso em escala global.
O cenário representa uma inversão histórica. Em 2000, os dados apontavam 13% de desnutrição e apenas 3% de excesso de peso nessa mesma faixa etária. Apesar de opostos, os diagnósticos têm origem comum: a má alimentação.
A rotina sobrecarregada das famílias e a busca por praticidade no dia a dia contribuem para escolhas alimentares menos saudáveis. No lanche escolar, muitos pais optam por alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares, gorduras, aditivos e conservantes, cujo consumo excessivo está associado a prejuízos à saúde a longo prazo.
Especialistas alertam que a alimentação inadequada na infância pode desencadear doenças como diabetes, hipertensão arterial e problemas hepáticos, além de comprometer o desenvolvimento físico e cognitivo.
Alimentação começa em casa
Segundo a encarregada regional de Nutrição do Grupo Pereira, responsável pelas redes Fort Atacadista e Comper, a nutricionista Thaisa Braz, mudanças simples e graduais são fundamentais para a construção de hábitos saudáveis. “A substituição de ingredientes pode ser feita de forma natural, como trocar a farinha branca pela integral ou incluir aveia em receitas de bolos e tortas”, orienta.
Segundo a encarregada regional de Nutrição do Grupo Pereira, responsável pelas redes Fort Atacadista e Comper, a nutricionista Thaisa Braz, mudanças simples e graduais.
(Foto: Divulgação)
Ela também sugere alternativas práticas para o lanche, como chips de batata-doce, palitos de legumes, frutas frescas, sucos naturais e água de coco. “São opções nutritivas e fáceis de incluir na rotina das crianças”, destaca.
O exemplo familiar é apontado como fator determinante. Hábitos alimentares consolidados na infância tendem a acompanhar o indivíduo ao longo da vida, influenciando diretamente a saúde na fase adulta.
Nutrientes essenciais
A alimentação infantil segue os mesmos princípios da dieta dos adultos, com necessidade de vitaminas, minerais, carboidratos, proteínas e gorduras, respeitando quantidades adequadas para cada faixa etária.
As proteínas de origem vegetal, encontradas em alimentos como soja, quinoa e brócolis, contribuem para a nutrição, enquanto as proteínas de origem animal, presentes em carnes, ovos e laticínios, fornecem aminoácidos essenciais ao organismo.
Para a merenda escolar, a recomendação é preparar os alimentos no mesmo dia, priorizando itens que resistam ao calor e ao transporte.
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Opções simples, como um omelete no lanche da tarde, cortes magros de carne, frango sem pele, peixes oleosos, queijos brancos e iogurtes, ajudam a equilibrar a dieta. Para crianças resistentes ao consumo de vegetais, a nutricionista recomenda incorporá-los às receitas. “Abobrinha na massa da panqueca ou legumes ralados no recheio de carnes são boas estratégias”, sugere.
Lanche escolar e hidratação
Para a merenda escolar, a recomendação é preparar os alimentos no mesmo dia, priorizando itens que resistam ao calor e ao transporte. Sanduíches simples, frutas que não amassem facilmente, iogurtes, leite, castanhas e frutas secas são opções indicadas. Biscoitos e bolos devem ser, preferencialmente, caseiros, sem recheios ou coberturas.
Por outro lado, alimentos como frituras, pizza, cachorro-quente, hambúrgueres, refrigerantes e doces industrializados devem ser evitados, pois dificultam a digestão, aumentam a irritabilidade e prejudicam a concentração escolar.
Sanduíches simples, frutas que não amassem facilmente, iogurtes, leite, castanhas e frutas secas são opções indicadas.
(Foto: Divulgação)
A hidratação também merece atenção. Enquanto o organismo adulto é composto por cerca de 65% de água, nas crianças esse percentual chega a 80%. “Por isso, é fundamental estimular a ingestão frequente de líquidos, dando preferência à água e a sucos naturais”, reforça Thaisa Braz.