A publicação
“O MM [Marques Mendes] de há 4 dias. Merece o resultado que teve”
O contexto
A contagem dos votos ainda não estava fechada quando Luís Marques Mendes, candidato à Presidência da República apoiado pelo PSD, reagiu aos resultados da noite eleitoral. “A responsabilidade é minha, toda minha e apenas minha”, afirmou quando já se adivinhava que este seria o pior resultado de sempre de um candidato presidencial com apoio do PSD.
O candidato que reuniu apenas 11,3% dos votos falou da segunda volta, mas não para apoiar nenhuma outra candidatura. Por essa altura, também já era claro que António José Seguro e André Ventura seriam os protagonistas da segunda volta.
Sobre o assunto, Marques Mendes disse apenas que não ia endossar nenhum dos candidatos. “Tenho a minha opinião pessoal, mas enquanto candidato, que é a única posição que tenho aqui hoje, não sou dono dos votos que em mim foram depositados”, afirmou. E esta foi exactamente a mesma posição assumida pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, que falou minutos depois. “O PSD não estará envolvido na campanha, não emitiremos nenhuma indicação”, disse Montenegro.
Os factos
Segunda-feira, 12 de Janeiro, foi o dia em que tudo correu mal a João Cotrim de Figueiredo, apenas um dia depois de ter garantido que não perderia o “momentum”.
Durante a tarde, surgiu uma acusação de assédio sexual por parte de uma ex-assessora da Iniciativa Liberal, mas já de manhã Cotrim tinha tido aquilo que apelidou de “momento infeliz”, quando não excluiu apoiar André Ventura na segunda volta.
E se sobre o primeiro tema os outros candidatos não teceram muitos comentários, o segundo mereceu várias considerações.
Marques Mendes disse, em declarações aos jornalistas durante a campanha, que os eleitores teriam ficado “desiludidos” por Cotrim não excluir o apoio a nenhum candidato numa eventual segunda volta, e que isso até o poderia beneficiar.
“[É uma] desilusão provavelmente para alguns que já votaram na IL no domingo [no voto antecipado] e que perante estas declarações de associação ao Chega se sentem enganados. Provavelmente se pudessem voltar atrás, não repetiam o voto”, acrescentou. O candidato apoiado pelo PSD disse mesmo que a não tomada de posição de Cotrim era uma “associação da IL ao Chega”.
No mesmo dia, Mendes partilhou no X uma notícia do Expresso — no título lia-se “Cotrim não excluiu apoiar Ventura” — e escreveu: “Há limites que não se diluem, nem por cálculo eleitoral, nem por conveniência do momento”.
O candidato dava assim a entender que considerava que Cotrim devia posicionar-se contra André Ventura.
Mas na noite de domingo Marques Mendes repetiu o que o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal tinha feito, não afastou o apoio a nenhum dos dois candidatos, disse que não irá apoiar nenhum porque não é “dono dos votos” em si depositados.
O veredicto
É verdade. Luís Marques Mendes criticou Cotrim há uma semana por não tomar nenhuma posição relativamente a nenhum dos possíveis candidatos à segunda volta, mas na noite eleitoral fez exactamente o mesmo: ao não apoiar nem Seguro nem Ventura, não se afastou do Chega.