Após Luís Montenegro ter reagido, na qualidade de presidente do PSD, aos resultados preliminares da noite eleitoral, defendendo que os sociais-democratas não farão campanha na segunda volta, por não terem presente nenhum representante do seu espaço político, Pacheco de Amorim prevê que o primeiro-ministro “vai ser confrontado todos os dias” com uma questão que considera ser “existencial para a direita portuguesa”.
“Querem ou não querem ter como Presidente da Republica alguém apoiado pelo PS?”, pergunta Pacheco de Amorim, que na segunda volta das eleições presidenciais de 1986 – únicas a terem ocorrido até agora – foi apoiante do candidato de centro-direita Freitas do Amaral. O já falecido fundador do CDS foi o mais votado na primeira volta, mas ver-se-ia ultrapassado na segunda pelo também já falecido Mário Soares, reeleito em 1991 para um segundo mandato.
Tal como o próprio André Ventura, que ao chegar ao hotel lisboeta onde se encontra o quartel-general da sua candidatura, prometeu trabalhar para agregar a maioria de eleitores que votaram nos outros candidatos da direita, Pacheco de Amorim considera que voltar atrás nas suas palavras “é o grande desafio que Montenegro tem que enfrentar”. Algo que seria comparável ao que sucedeu há 40 anos, quando o secretário-geral do PCP, Álvaro Cunhal, instruiu os eleitores comunistas a votarem em Soares, mesmo que para tal tapassem o rosto do socialista nos boletins de voto.
O vice-presidente da Assembleia da República, eleito pelo Chega, aproveitou para “reendossar” as palavras de Luís Montenegro noutras campanhas eleitorais. “A verdade é que eles passaram as legislativas a dizer que o voto útil no PSD era necessário, porque não podiam deixar o PS voltar a governar”, realçou Pacheco de Amorim, para quem “de certo modo” a segunda volta que terá lugar a 8 de fevereiro, entre António José Seguro e André Ventura, será “uma repetição” do duelo Freitas-Soares, numa eleição que foi então “muito polarizada entre direita e esquerda”.
Quando falta apurar os votos em seis freguesias e 12 consulados, António José Seguro, com 31,21%, e André Ventura, com 23,25%, têm a passagem à segunda volta garantida. O adversário mais próximo, João Cotrim de Figueiredo, surge com 16,05%. E a uma distância de 398.418 votos do líder do Chega.