A China entrou em 2026 com menos 3,39 milhões de pessoas em relação a 2024, com a taxa de natalidade a atingir, em 2025, um mínimo histórico. A par com um envelhecimento da população, esta tendência pode pôr em causa a economia e o crescimento do país.

Com menos nascimentos e um crescente envelhecimento da população, a China viu a sua massa populacional fixar-se em 1,4 mil milhões de pessoas no final do ano passado, o que representa uma elevada redução de pessoas relativamente a 2024. Segundo os dados publicados pelo Gabinete Nacional de Estatísticas chinês, os nascimentos caíram 17%, representando uma taxa de natalidade que é um mínimo histórico desde 1949, ano da proclamação da República Popular da China. Também a taxa de mortalidade atingiu o valor mais elevado desde 1968.

Em 2021, inclusive, a China perdeu o estatuto de país mais populoso do mundo para a Índia.

Perante este envelhecimento da população, o Governo chinês tem procurado arranjar soluções políticas para resolver o problema demográfico. Em 2015, foi abolida a “política do filho único”, imposta no final da década de 1970 para controlar o crescimento populacional, passando a ser permitido aos casais terem dois filhos. Face à contínua diminuição dos nascimentos, em 2021, o número máximo de filhos passou para três. No entanto, estas alterações não fizeram aumentar a natalidade expressivamente, o que se explica em parte pelos elevados custos de criar um filho no país e pela preferência em investir na carreira profissional.

Para colmatar estes elevados custos, em 2025 o Governo anunciou um “bónus de fertilidade” de 3600 yuan, equivalente a cerca de 430 euros, por cada filho até aos três anos de idade. Outra medida para aumentar a natalidade foi o novo imposto de 13% sobre medicamentos e produtos contraceptivos, apesar das Nações Unidas reforçarem que “é fundamental que o acesso aos cuidados de saúde sexual e reprodutiva e a concretização dos direitos reprodutivos continuem a ser imperativos, e que as políticas associadas incorporem um respeito fundamental pelos direitos humanos”, lê-se numa nota do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais de 2025.

Esta tendência demográfica tem implicações económicas e sociais, com a força de trabalho a decrescer e a população idosa a aumentar. Grande parte da população mais velha depende de apoios governamentais que, de acordo com a Academia Chinesa de Ciências Sociais, se estão a esgotar.

O Presidente Xi Jinping já classificou este problema como uma “questão vital”, com que a China, a segunda maior economia do mundo, se continuará a debater nos próximos anos.

Texto editado por Paulo Narigão Reis