Pesquisadores da Universidade City St George’s, na Inglaterra, concluíram que o uso de Tylenol durante a gestação não aumenta o risco de autismo, TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade) ou deficiência intelectual em crianças. A conclusão foi publicada na última sexta-feira (16/1) na revista “The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health”, após análise de 43 estudos de alta qualidade.

A investigação examinou dados de 262.852 crianças avaliadas para autismo, 335.255 para TDAH e 406.681 para deficiência intelectual. Os cientistas priorizaram estudos que comparavam irmãos nascidos da mesma mãe, onde apenas um foi exposto ao medicamento durante a gestação.

De acordo com os pesquisadores, cada estudo foi analisado utilizando a ferramenta QUIPS (Quality In Prognosis Studies), que avalia múltiplos aspectos do desenho do estudo para estimar o risco de viés. A ausência de qualquer associação entre o uso de paracetamol na gravidez e autismo, TDAH ou deficiência intelectual permaneceu consistente mesmo quando os pesquisadores limitaram sua análise a estudos classificados como de baixo risco de viés (e, portanto, de maior qualidade). Os mesmos resultados foram observados em estudos que acompanharam crianças por mais de cinco anos.

A pesquisa foi motivada por preocupações públicas surgidas em setembro do ano passado, quando surgiram alegações de que a exposição pré-natal ao Tylenol poderia interferir no desenvolvimento cerebral infantil.

“Nossos achados sugerem que as ligações anteriormente relatadas provavelmente são explicadas por predisposição genética ou outros fatores maternos, como febre ou dor subjacente, em vez de um efeito direto do paracetamol em si,” explicou a professora de Obstetrícia e Medicina Fetal Materna Asma Khalil, pesquisadora que liderou o estudo

“A mensagem é clara: o paracetamol continua sendo uma opção segura durante a gravidez, quando tomado conforme as instruções. Isso é importante, pois o paracetamol é o medicamento de primeira linha que recomendamos para gestantes com dor ou febre, e, portanto, elas devem se sentir tranquilas sabendo que ainda têm uma opção segura para aliviar seus sintomas”, completou. 

Os autores apontaram, porém, algumas limitações. Não havia dados consistentes suficientes para examinar se os riscos variavam de acordo com o trimestre de exposição, o sexo do bebê ou a frequência de uso do paracetamol. Segundo os pesquisadores, poucos dos estudos comparativos entre irmãos existentes relataram esses detalhes.

Os pesquisadores esperam que o estudo ajude a dissipar as dúvidas sobre o uso de paracetamol durante a gravidez. Além disso, eles também destacam que evitar o tratamento para dor ou febre intensa pode acarretar riscos conhecidos tanto para a mãe quanto para o bebê, principalmente quando a febre materna não é tratada. Por fim, eles pontuam que as evidências apoiam o uso do paracetamol como uma opção segura quando tomado conforme as instruções médicas.