É uma notícia que se tem repetido e que volta a ter lugar esta quarta-feira: os preços do ouro chegaram a um novo recorde e aproximam-se dos 4900 dólares por onça. As tensões geopolíticas, com o presidente dos Estados Unidos da América a apontar para a vontade de conquistar a Gronelândia e a divulgar mensagens trocadas com chefes de Estado europeus pelo meio, continuam a justificar a procura pelo metal precioso.
O ouro é sempre visto como um activo de refúgio, para o qual os investidores correm quando há maiores preocupações sobre o futuro. O caminho recente tem sido de valores nunca antes vistos para o ouro. E o recente não é apenas na última semana, mas sobretudo no último ano.
O ouro para entrega imediata subiu mais de 2% no início desta quarta-feira, chegando a ser transaccionado por 4887,82 dólares por onça (ao câmbio actual, 4174,15 euros), de acordo com os dados da agência Reuters. Também com ganhos de 2,6% segue o preço dos futuros do ouro (para entrega no futuro).
À Reuters, o analista de mercados da casa de investimento Capital.com Kyle Rodda comentou que a evolução do preço se deve “à perda de confiança nos EUA motivada pelas movimentações do fim-de-semana de aumento das tarifas aos países europeus e da crescente coerção ao tentar tomar posse da Gronelândia”. É tudo por “medo”.
E tendo superado os 4800 dólares por onça, a evolução faz antever que pode ainda subir mais para quebrar novas barreiras. “Os investidores não querem vender o ouro antes dos 5000 dólares por onça”, opina o responsável de mercados da ABC Refinery, Nicholas Frappell, também à Reuters.
Há uma combinação de movimentos a sustentar o ouro, acredita o especialista: o dólar mais fraco (perdeu terreno no último mês face a divisas de outras geografias, o que torna mais atractivos para investidores estrangeiros os investimentos denominados nesta moeda, como é o caso do ouro), as preocupações com a dívida (e a situação no Japão, a caminho de eleições antecipadas, também tem aqui um papel) e ainda a incerteza geopolítica. A diversificação de reservas por parte dos bancos centrais, apostando menos em activos em dólar, também tem sido apontada como um motivo.
À CNBC, Nicky Shiels, a responsável de metais da empresa do sector MKS Pamp, antecipou que o ouro poderá chegar, este ano, aos 5400 dólares. O ouro cresceu 60% no ano passado, mas não deve repetir tais ganhos: chegar à barreira por si esperada, é subir 30% em termos homólogos. No Goldman Sachs, um dos responsáveis da área de mercados, Daan Struyven, deixou claro: “O ouro continua a ser a nossa maior convicção”.
Esta quarta-feira, a platina para entrega imediata também bateu um recorde (2511,80 dólares), um dia depois de ser a prata a tocar, pela primeira vez, nos 95,87 dólares.
Petróleo a recuar
Nos mercados, os preços do petróleo também seguem a recuar em torno de 1%, com as bolsas europeias a adoptarem uma evolução mista, como ocorreu na Ásia, depois do recuo que marcou terça-feira, tanto na Europa como nos Estados Unidos da América. O português PSI seguia, pelas 9h00, a ceder 0,45%. O índice Stoxx 600 perdia ligeiramente menos, 0,17%.
Esta quarta-feira, Donald Trump estará em Davos, Suíça, no Fórum Económico Mundial, depois de dias de trocas intensas de palavras com os líderes europeus, sobretudo em relação à Gronelândia, mas também pelo que está a acontecer no plano das acções. O presidente americano anunciou tarifas mais elevadas, o Parlamento Europeu decidiu suspender a ratificação do acordo comercial que tinha sido alcançado, e a Comissão Europeia prometeu uma “resposta firme, unida e proporcional”.