Jaime Faria tinha acabado de sair de cabeça erguida depois da derrota a quatro sets frente ao russo Andrey Ryblev, Nuno Borges surgia com a possibilidade de “vingar” a presença nacional no Open da Austrália. Não começou da melhor forma, nem mesmo a complicada derrota no tie break logo a abrir travou esse cenário e, mais uma vez, o português chegou à terceira ronda em Melbourne – e com isso voltou a fazer história.

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Após bater o australiano Jordan Thompson, 111.º do ranking mundial que antes chegara apenas três vezes à quarta ronda de Grand Slams mas que leva oito triunfos em 12 finais de torneios ATP, por 6-7 (9), 6-3, 6-2 e 6-4, Nuno Borges tornou-se o primeiro jogador português de sempre a chegar por três vezes consecutivas à terceira ronda do mesmo Major. Antes, o maiato alcançou a quarta ronda em 2024 e chegou à terceira fase no ano passado, uma fasquia que no mínimo já está garantida na presente edição.

Em comparação com João Sousa, que terminou a longa carreira de profissional no início de 2024, o melhor tenista português de sempre chegou por três vezes à terceira ronda do Open da Austrália mas não em anos seguidos (2015, 2016 e 2019), tendo ainda mais uma quarta ronda e uma terceira ronda em Wimbledon (2019 e 2016) e uma quarta ronda e duas terceiras rondas no US Open (2018,2013 e 2016). Já Nuno Borges, de 28 anos, chegou pela sexta vez à terceira ronda de um Grand Slam nas últimas nove presenças (três em Melbourne, uma em Roland Garros, Wimbledon e US Open) e ficou a duas de Sousa.

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Segredos para a vitória na 1573 Arena? Logo à cabeça, a percentagem muito acima da média de pontos de break ganhos, neste caso de 86% com seis em sete ganhos. Nuno Borges fez menos ases e mais duplas faltas do que o australiano, imperando depois noutros aspetos como o número de winners (45-41), os erros não forçados (34-46) e a percentagem de pontos no primeiro e segundo serviços (72% e 57%).

“Foi um jogo muito, muito complicado. Principalmente depois daquele primeiro set, foi duro conseguir aceitar que ainda tinha pelo menos mais três partidas pela frente mas foquei-me no segundo set. Ele também jogou muito bem o primeiro set, serviu principalmente bem e acreditei que não ia conseguir manter esse ritmo. Mais uma vez, senti que com o decorrer do encontro fui subindo o meu nível, fui respondendo cada vez melhor, a pôr cada vez mais pressão no serviço do meu adversário, até que acabei por quebrar algumas vezes e consegui dar a volta ao encontro. Foi muito bem conseguido no quarto set. Estava 4-1 abaixo e com a sensação de que podia estar mais para o meu lado e, portanto, acho que consegui muito boas jogadas e uma boa sequência de jogos com um bom nível, a responder muito bem e a servir bem, para dar a volta ao resultado para 6-4″, comentou Nuno Borges após o encontro em Melbourne à agência Lusa.

Na próxima ronda, o português, que ocupa atualmente o 46.º lugar do ranking mundial, vai defrontar o norte-americano Learner Tien, 29.º da hierarquia ATP. O jovem jogador de 20 anos passou a segunda ronda do Open da Austrália após vencer o cazaque Alexander Shevchenko por 6-2, 5-7, 6-1 e 6-0 já depois de ter ganho em cinco sets ao compatriota Marc Giron por 7-6 (3), 4-6, 3-6, 7-6 (2) e 6-2. Outra curiosidade? O vencedor do encontro entre Tien e Borges vai cruzar depois com Fábian Marozsán ou Daniil Medvedev, jogador russo que jogou com o tenista português na quarta ronda do Open da Austrália de 2024. “Com o Learner vai ser um jogo muito físico. Ele é especial no fundo de campo, consegue mudar bem de direções e controla bem a bola. Vou ter de ser bastante agressivo e servir bem se quiser ter hipóteses. Ele já teve dois encontros duros também, traz confiança. Sinto que ele é favorito mas vou para ganhar”, frisou o maiato.

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