Boatos de que gravidade vai sumir da Terra não são verdadeiros, segundo a ciênciaFoto: Canva/ND Mais
Se você usa redes sociais como Instagram, TikTok ou X (antigo Twitter), provavelmente já se deparou com a afirmação de que a gravidade vai sumir da Terra por sete segundos em 12 de agosto de 2026.
Vídeos publicados nesses espaços virtuais afirmam que a Nasa teria conhecimento do fenômeno, mas estaria escondendo a informação da população. Apesar do curioso, nada disso é verdade. A alegação não tem qualquer base científica e já foi classificado como falsa por especialistas.
De onde surgiu o boato que a gravidade vai sumir da Terra
Conforme informações do site Snopes, referência internacional em verificação de informações virais, o rumor começou a circular a partir de um vídeo que mencionava um suposto documento secreto chamado “Project Anchor”, que teria vazado em 2024 com um orçamento de US$ 89 bilhões (equivalente a R$ 473,035 bilhões na cotação do dólar ao real).
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O conteúdo afirmava que, em 12 de agosto de 2026, a Terra perderia completamente a gravidade por sete segundos. A publicação original chegou a somar dezenas de milhares de curtidas e foi compartilhada centenas de milhares de vezes antes de ser removida.
O eclipse de 2026 ajudou a espalhar a teoria
A data citada no boato coincide com um eclipse solar total, visível em regiões do Ártico até partes da Europa, incluindo a Espanha. Eventos astronômicos de grande escala costumam alimentar especulações nas redes sociais, especialmente narrativas associadas a catástrofes ou falhas do planeta.
Esse contexto ajudou a impulsionar a falsa ideia de que a gravidade vai sumir da Terra temporariamente.
Em agosto de 2026 ocorrerá um eclipse, e data do fenômeno coincidia com dia em que a gravidade vai sumir da Terra, segundo boatoFoto: Freepik/ND MaisO que o vídeo afirma que aconteceria nesses 7 segundos
De acordo com a narrativa viral, pessoas, animais e objetos que não estivessem presos ao chão começariam a flutuar nos primeiros dois segundos. Entre o terceiro e o quarto segundo, esses corpos supostamente subiriam até 15 ou 20 metros de altura.
No sétimo segundo, a gravidade retornaria de forma abrupta, fazendo tudo cair violentamente no solo.
O problema é que essa descrição ignora completamente as leis mais básicas da física.
Por que a gravidade não pode “desaparecer” de repente
Um artigo publicado pelo engenheiro elétrico Marshall Brain, no site HowStuffWorks, explica que a gravidade é uma força fundamental resultante da massa de objetos, descrita pela lei de Newton como uma atração proporcional às massas inversamente proporcional ao quadrado da distância.
Na relatividade geral, ela é interpretada como uma curvatura no espaço-tempo causada pela presença de massa e energia.
Sendo assim, é impossível afirmar que a gravidade vai sumir da Terra, pois não existe nenhum mecanismo físico conhecido que permita “desligar” a gravidade sem alterar drasticamente a massa envolvida
O que aconteceria com os objetos em um cenário hipotético?
Outro artigo publicado na revista cientifica Thirst sugere que mesmo em um cenário em que a gravidade sumisse da Terra, os objetos não “subiriam” ou flutuariam para cima de maneira ativa, como está sendo sugerido pelos boatos que circulam nas redes sociais.
De acordo com a primeira lei de Newton (lei da inércia), um corpo em repouso tende a permanecer em repouso se nenhuma força atuar sobre ele. Então, caso esse cenário se realizasse os objetos permaneceriam onde estão, a menos que outra força (como o empuxo do ar ou o movimento rotacional da Terra) os afetasse.
Na prática, considerando a rotação da Terra, os objetos (e pessoas) não ficariam parados: devido à inércia, eles continuariam em movimento tangencial à superfície, sendo “lançados” para fora em linha reta a velocidades de até 465 m/s no equador, o que daria a ilusão de “voar” para longe do planeta, segundo Brain.
No entanto, isso não seria um “subir” vertical impulsionado, mas uma consequência da ausência de força centrípeta fornecida pela gravidade. A atmosfera e os oceanos também se dissipariam rapidamente para o espaço, levando a um colapso total.
E a história das ondas gravitacionais?
As ondas representam apenas os instantes finais de colisões cósmicas e não são previsíveis com anos de antecedênciaFoto: Canva/ND Mais
Outra versão do boato tenta associar o suposto evento a ondas gravitacionais geradas pela colisão de buracos negros. Essa explicação também é incorreta.
Ondas gravitacionais são extremamente fracas. Elas só foram detectadas graças a equipamentos de altíssima precisão, como os observatórios do consórcio LIGO-Virgo-KAGRA, que não é operado pela Nasa.
Além disso, essas ondas representam apenas os instantes finais de colisões cósmicas e não são previsíveis com anos de antecedência.
NASA não estuda ondas gravitacionais
Outro ponto que desmonta o boato é a alegação de que a NASA estaria escondendo informações. A agência espacial norte-americana não é responsável pela detecção de ondas gravitacionais.
Se fosse possível prever um fenômeno desse tipo com tanta antecedência, isso significaria dominar tecnologias que violariam as próprias leis da física conhecidas hoje.
A gravidade não vai sumir da Terra
Não há qualquer evidência científica de que a gravidade vai sumir da Terra, nem por sete segundos, nem em qualquer outro momento. O boato mistura conceitos reais da astronomia com desinformação, criando um enredo chamativo, mas completamente falso.
Especialistas reforçam que eventos astronômicos como eclipses não interferem na gravidade do planeta e que conteúdos virais desse tipo devem ser encarados com ceticismo.