O Presidente norte-americano Donald Trump ameaçou este sábado impor “direitos aduaneiros de 100%” sobre as importações do Canadá para os Estados Unidos da América (EUA) caso o Canadá chegue a um acordo comercial com a China.

Se Mark Carney, o primeiro-ministro do Canadá, “pensa que vai transformar o Canadá num ‘porto de desembarque’ para a China enviar os seus bens e produtos para os Estados Unidos, está muito enganado”, afirmou o Presidente dos EUA numa mensagem na sua rede social Truth Social, citado pela agência France-Presse.

Donald Trump acrescentou que “a China vai devorar o Canadá, destruindo completamente as suas empresas, o seu tecido social e o seu modo de vida em geral”.

A posição do Presidente dos Estados Unidos surge depois de o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, ter anunciado um acordo preliminar em Pequim, na semana passada.

Enquanto Trump travou uma guerra comercial ao longo do último ano com o resto do mundo, impondo aumentos unilaterais de direitos aduaneiros anunciados a 2 de Abril no que qualificou como “Dia da Libertação” – e mais tarde revertendo-os ou criando excepções, incluindo a Pequim –, o Canadá negociou este mês um acordo para reduzir as tarifas sobre veículos eléctricos chineses em troca de impostos de importação mais baixos sobre produtos agrícolas canadianos.

Donald Trump tinha dito anteriormente que o acordo era o que Mark Carney “deveria fazer e que era bom para ele assinar um acordo comercial”, recordou contudo a Associated Press.

O gabinete de Mark Carney não respondeu imediatamente a um pedido de comentário por parte da Reuters.

A ameaça de Donald Trump surge no meio a uma escalada de tensões verbais com Mark Carney. Donald Trump comentou esta semana, em Davos, na Suíça, que “o Canadá vive por causa dos Estados Unidos”. Mark Carney rebateu que seu país pode ser um exemplo de que o mundo não precisa se curvar a tendências autocráticas.

Mais tarde, Donald Trump revogou o convite feito a Mark Carney para integrar o “Conselho da Paz”, depois de ter repetidamente provocado o Canadá, sugerindo que fosse absorvido pelos Estados Unidos como o 51.º Estado, o que já levou a uma reacção em termos de defesa por parte dos canadianos.