UKRAINIAN PRESIDENTIAL PRESS SERVICE HANDOUT/EPA

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky (à esquerda) com o presidente dos EUA Donald Trump (à direita) durante o seu encontro à margem da 56ª edição do Fórum Económico Mundial (FEM), em Davos, na Suíça.
“Zelenskyy tem estado a esgravatar os bolsos dos americanos e europeus para encher os bolsos dos seus generais corruptos”, diz governo iraniano. Teerão responderá de forma letal em caso de ataque, garante Guarda Revolucionária.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão dirigiu-se esta sexta-feira diretamente ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy e ao homólogo dos EUA Donald Trump para declarar que “o Mundo está farto de palhaços” e mostrar que não tem medo das ameaças militares norte-americanas, após Kiev ter apoiado uma intervenção militar norte-americana naquele país do Médio Oriente.
“Zelenskyy tem estado a esgravatar os bolsos dos contribuintes americanos e europeus para encher os bolsos dos seus generais corruptos e para lidar com o que ele chama de agressão ilegal em violação da Carta da Organização das Nações Unidas (ONU)”, disse Abbas Araqchi.
O responsável do executivo da República Islâmica do Irão criticou o facto de o líder ucraniano, “aberta e descaradamente, defender uma agressão ilegal dos Estados Unidos da América (EUA) contra o Irão”, igualmente em clara violação dos estatutos da ONU.
“O Mundo já se cansou desses palhaços confundidos, Senhor Zelensky”, afirmou.
A ameaça de Trump. “Fala muito…”
Para Araqchi, as Forças Armadas da Ucrânia são apoiadas por “estrangeiros e estão repletas de mercenários”, ao contrário do Irão, que, diz o responsável, sabe-se defender e “não precisa de pedir ajuda estrangeira”.
Por outro lado, a Guarda Revolucionária iraniana prometeu responder no terreno às ameaças do Presidente dos Estados Unidos, após o anúncio do envio de uma “frota enorme” norte-americana para águas próximas do Irão.
Trump afirmou na quinta-feira que uma “frota enorme” se dirigia para as proximidades do Irão e advertiu Teerão para que cessasse a repressão contra os manifestantes. O porta-aviões “Abraham Lincoln”, que se encontrava no mar da China Meridional, foi enviado para o Golfo Pérsico, de acordo com as autoridades de defesa dos Estados Unidos. Face ao aumento de tensão, várias companhias aéreas europeias, incluindo a Air France, a alemã Lufthansa e a neerlandesa KLM cancelaram voos para a região do Médio Oriente.
“Trump fala muito, mas deve estar seguro de que receberá a resposta no campo” de batalha, afirmou o comandante da Força Aeroespacial do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, Majid Mousavi, o responsável pelo programa de mísseis balísticos iraniano como chefe da força aérea do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, em declarações citadas pela televisão estatal Press TV.
Com centenas de milhares de efetivos, a força também conhecida por Guarda Revolucionária foi criada na sequência da revolução de 1979, que instituiu a República Islâmica, e tem por missão proteger o regime liderado pelo clero xiita. Também o antigo general da Guarda Revolucionária e atual membro da Comissão de Segurança Nacional, Esmail Kowsari, reiterou que Teerão responderá de forma letal em caso de ataque, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.
“Se os inimigos cometerem um ato agressivo, receberão uma resposta letal e dissuasora, e as bases norte-americanas na região serão um dos principais objetivos”, afirmou, citado pela agência iraniana Fars.
“O que está a acontecer agora no Irão é um sinal claro de que as coisas não vão melhorar para a Rússia”, declarou Zelenskyy na passada semana, referindo-se aos violentos protestos mortais que desde final de dezembro têm acontecido em várias cidades iranianas e que já provocaram mais de três mil mortos.
O presidente ucraniano defendeu que “todos os líderes, todos os países e todas as organizações internacionais devem intervir agora e ajudar o povo [iraniano] e remover os responsáveis por aquilo em que o Irão, infelizmente, se tornou”.
Trump tem ameaçado Teerão com uma intervenção desde o início dos protestos, motivados pela desvalorização da moeda do país, o rial, e que evoluíram para contestação ao regime da República Islâmica. As autoridades iranianas reprimiram as manifestações, que atribuem a uma instigação dos Estados Unidos e de Israel, resultando em milhares de mortos.
Organizações não-governamentais (ONG) da oposição têm divulgado balanços que estimam até 5.000 mortos, maioritariamente manifestantes, mas também membros das forças da ordem.
Kiev tem acusado reiteradamente Teerão de apoiar a Rússia no contexto da invasão e guerra contra a Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro de 2022, sob as ordens do presidente russo, Vladimir Putin, algo que tem sido recusado pelas autoridades iranianas, que fortaleceram os seus laços com Moscovo, nos últimos anos.