Uma operação conjunta da Polícia Judiciária, da Marinha e da Força Aérea resgatou perto de nove toneladas de cocaína em alto mar. As autoridades crêem estar perante uma das maiores apreensões de sempre, muito embora parte da droga se tenha afundado juntamente com a embarcação em que seguia.
O estupefaciente encontrava-se num semi-submersível proveniente da América Latina tripulado por quatro cidadãos homens, um venezuelano e três colombianos, estando acondicionado em 300 fardos. Segundo o director da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes, Artur Vaz, desses 300 fardos foram resgatados 265. Se tivessem sido postas à venda no mercado ilícito, as perto de nove toneladas recuperadas renderiam aos narcotraficantes “centenas de milhões de euros”.
A intercepção da embarcação foi feita na sexta-feira a cerca de 230 milhas náuticas dos Açores, “em condições de extrema dificuldade e perigosidade, devido à adversidade das condições meteorológicas”, descreve a Judiciária num comunicado em que diz também que a Operação Adamastor teve origem na estreita colaboração com várias entidades de outros países, entre as quais a agência federal norte-americana de combate ao tráfico de drogas, a Drug Enforcement Administration, e a agência nacional anticrime do Reino Unido, a National Crime Agency. Terá sido, de resto, o mau tempo a ditar o afundamento do semi-submersível.
“Por questões de segurança, a partir de determinado momento não foi possível continuar a ter gente no seu interior”, descreveu Artur Vaz, acrescentando que a tecnologia que incorporava o semi-submergível lhe permitia atravessar o Atlântico de forma dissimulada. A sua localização, sublinhou, só se tornou possível graças à vigilância da Marinha e da Força Aérea.
A investigação vai ainda prosseguir, no âmbito de um inquérito titulado pelo Departamento de Investigação e Acção Penal dos Açores, continuando a contar com a colaboração destas entidades. Os suspeitos deverão ser ouvidos esta segunda-feira no Tribunal de Ponta Delgada.