O candidato presidencial André Ventura considerou hoje “um pouco surpreendente” o anúncio do antigo presidente do CDS-PP, Paulo Portas, de que irá votar em António José Seguro na segunda volta das eleições. “O [apoio do] doutor Paulo Portas é um pouco surpreendente, de alguém que defende que o socialismo destrói, que o socialismo mata”, disse o também líder do Chega, que falava aos jornalistas em Évora, reagindo ao anúncio do antigo vice-primeiro-ministro, no domingo.
André Ventura recordou que Paulo Portas fez parte do Governo liderado por Pedro Passos Coelho, quando António José Seguro era secretário-geral do PS, alegando que o candidato, na altura, fazia “a vida negra” a esse executivo (em 2011 e 2012 os socialistas abstiveram-se na votação dos orçamentos).
“Era uma boa questão sabermos o que pensará Pedro Passos Coelho deste apoio de Paulo Portas”, notou, considerando que o antigo primeiro-ministro e líder social-democrata estará “muito surpreendido” com a declaração do antigo presidente do CDS-PP.
Sobre a declaração do antigo Presidente da República Cavaco Silva de que também irá votar em Seguro, André Ventura considerou que não seria muito expectável outra intenção e olhou para essa manifestação de apoio como “uma espécie de talismã”. “Foi nos momentos em que o professor Cavaco Silva apelou mais ao voto contra o Chega que as pessoas mais votaram no Chega”, afirmou.
Perante as duas declarações de voto, o candidato presidencial reiterou a ideia de que “as figuras cimeiras do sistema” têm-se juntado contra a sua candidatura, mostrando que “estas antigas figuras do centro-direita e da direita” querem “manter o seu privilégio”.
“Nós temos que distinguir entre o povo de direita e os notáveis que não representam nada da direita. Nós temos que distinguir entre a grande massa dos portugueses não socialistas e um conjunto de notáveis”, disse, insistindo na transformação da segunda volta numa luta “do povo contra as elites”.
Para Ventura, as diferentes personalidades que têm manifestado o seu voto em Seguro já não representam o seu espectro político: “Já não representam nada no centro-direita e na direita. São apenas ex-figuras.”