A publicação

“Alex Pretti pôs-se em perigo deliberadamente ao ameaçar agentes federais.”

Steve Retired Texas Pragmatist, conta do X

O contexto

Alex Pretti, enfermeiro num hospital de veteranos de guerra, foi morto a tiro por agentes federais do ICE (a polícia de imigração) este sábado, 24 de Janeiro, enquanto protestava contra a actuação da polícia de imigração norte-americana em Mineápolis, no estado do Minnesota.


Rapidamente começaram a surgir várias publicações nas redes sociais, incluindo de membros da administração Trump, que acusavam Pretti de ter pegado numa arma, justificando a acção dos agentes do ICE, que dispararam várias vezes contra o enfermeiro — segundo o que se ouve no vídeo, foram pelo menos dez disparos.

O ICE diz que agiu em “legítima defesa”, a mesma justificação dada quando agentes federais mataram Renee Good, no dia 7 de Janeiro.

Na manhã dessa quarta-feira, um contingente do ICE levava a cabo uma operação anti-imigração ilegal num bairro residencial em Mineápolis. Good, cidadã norte-americana, terá bloqueado parcialmente com o carro a via onde estavam os agentes federais — não é claro se o fez em protesto contra as autoridades ou se estava apenas a inverter a marcha. Após terem tentado abrir a porta do veículo, os agentes mataram Renee Good, que estava desarmada, a tiro.


Membros da administração Trump acusaram-na de “um acto de terrorismo doméstico”, argumentando que os agentes responderam a uma ameaça de atropelamento.

Pretti foi morto na mesma cidade que Renee Good, onde o ICE tem levado a cabo várias acções anti-imigração. Várias pessoas foram detidas na sequência destas operações, incluindo cinco crianças.

Os factos

Vários vídeos mostram o que aconteceu no sábado, momentos antes de Alex Pretti ser morto. Na publicação que estamos a analisar diz-se que “Alex Pretti pôs-se em perigo deliberadamente ao ameaçar agentes federais”, fazendo o vídeo passar a ideia de que o enfermeiro puxou da arma para a usar contra os elementos do ICE.

Mas ao ver este e outros vídeos, que mostram outros ângulos do mesmo momento, percebe-se que não há qualquer ameaça, não é Alex Pretti que retira a arma do bolso, mas um dos agentes.

Análises feitas pelo New York Times, pelo Wall Street Journal ou ABC News permitem chegar à mesma conclusão: Alex Pretti tinha uma arma consigo, sim, mas em momento algum a tira, quem pega na arma é um dos agentes do ICE.

Quase um minuto antes dos disparos, Pretti estava a filmar agentes do ICE a falar com dois civis, enquanto uma pessoa estava detida no chão. Os dois civis são empurrados e Pretti tenta defendê-los. Acaba por ser também empurrado por um agente, que usa gás pimenta em direcção ao enfermeiro de 37 anos. Durante todo o tempo mantém o telemóvel na mão.

Aproximam-se outros agentes e atiram-no para o chão, onde parecem restringir-lhe os movimentos. É nesse momento que se vê um agente a tirar a arma que Pretti tinha à cintura e, logo a seguir, ouvem-se os disparos.

Numa curta entrevista dada por Donald Trump ao Wall Street Journal, o Presidente norte-americano dirige rasgados elogios à intervenção do ICE: “Fizeram um trabalho fenomenal”, afirmou.

E acrescentou que, ainda que “não goste de nenhum tipo de tiroteio”, também não gosta “quando alguém vai a um protesto e leva uma arma muito potente, totalmente carregada, com dois carregadores cheios de balas”.


Pretti tinha consigo uma pistola semiautomática de 9 milímetros, para a qual tinha licença, de acordo com as informações disponíveis.

O Departamento de Segurança norte-americano alega que os agentes agiram em legítima defesa, invocando o facto de Pretti ter essa semiautomática. Organizações que defendem o porte de arma têm sublinhado que não é proibido ser portador de arma numa manifestação.

O veredicto

É falso que o vídeo mostre Alex Pretti a tirar uma arma da cintura. O homem, que foi morto por agentes da polícia de imigração norte-americana, tinha uma arma à cintura, mas nunca lhe tocou nem a retirou daquele sítio. O que se vê no vídeo é um agente do ICE a tirar-lhe essa arma, uma pistola semiautomática de 9 milímetros, para a qual tinha licença.