Uma regularização extraordinária de imigrantes vai mesmo avançar em Espanha, noticia o El País, que adianta que o Conselho de Ministros vai aprovar, nesta terça-feira, um pacote de medidas que poderá vir a beneficiar mais de 500 mil pessoas.
A decisão foi revelada pelo Podemos, depois de o partido, que tem liderado e dominado o espaço à esquerda dos socialistas, ter chegado a acordo com o Governo, ainda que a abertura do país à legalização da imigração seja reivindicada também pelo Sumar, parceiro do Executivo.
A regularização vai abranger todos os que possam comprovar que estavam a residir em Espanha antes de 31 de Dezembro de 2025, desde que não tenham antecedentes criminais e que estejam no país há pelo menos cinco meses no momento do pedido, que poderá ser realizado até 30 de Junho. Ao El País, fontes do Podemos especificaram que a iniciativa não vai precisar de passar pelo Congresso para ser validada, já que será publicada em Decreto Real, inspirado no aprovado por José Luis Rodríguez Zapatero em 2005, que legalizou um total de 576.506 imigrantes.
O actual acordo entre o Governo e o Podemos prevê o processamento administrativo urgente, tendo como objectivo “proporcionar maior segurança jurídica aos estrangeiros presentes no território nacional [espanhol], garantindo o exercício efectivo dos seus direitos”.
A medida, explicou a eurodeputada Irene Montero (Podemos), pretende dar resposta às “pessoas que vivem em Espanha com medo de serem detidas pela polícia”, recordando a morte de um manifestante no sábado nos Estados Unidos pela polícia fronteiriça, distinta dos serviços de imigração (ICE, envolvidos na morte de uma norte-americana no início do mês), mas também sob a alçada do Departamento de Segurança Interna. “Não podemos aceitar que haja pessoas que vivam com medo e sem direitos. Não podemos aceitar a violência racista. O racismo responde-se com direitos. Se eles raptam crianças, assassinam, nós damos documentos.”