O número de feridos após uma explosão num apartamento de um prédio de sete andares em Coimbra, que se pensava inicialmente ser dois, aumentou para cinco, um deles com gravidade, disse aos jornalistas o vereador da Protecção Civil Municipal.
Segundo Ricardo Lino, o ferido considerado grave, que foi transportado para os Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), tem 38 anos e estava no interior do apartamento quando ocorreu a explosão. Três dos feridos estavam nas imediações do apartamento, como nos corredores, e uma mulher, habitante do prédio, estava na rua quando foi projectada pela força da explosão.
Dos cinco feridos, dois deles foram considerados ligeiros e assistidos no local, enquanto três foram transportados para os HUC.
A vítima ferida com gravidade, que estava dentro do apartamento na hora da ocorrência, “estava soterrada debaixo dos escombros” e sofreu um “traumatismo abdominal”, estando agora a ser acompanhada pelos serviços de saúde de Coimbra. Entre as vítimas, há ainda uma senhora de 75 anos, que sofreu queimaduras, e uma jovem com 27 anos.
Segundo o vereador da Protecção Civil Municipal, a origem da explosão ainda não é conhecida, mas a suspeita é que tenha ligação com o gás, que foi preventivamente cortado pelas autoridades. Como adiantou o responsável, se a causa do ocorrido for realmente a fuga de gás, não há risco de uma nova explosão.
O acidente aconteceu no primeiro andar de um prédio no Vale das Flores, na rua Augusto Marques Bom, tendo o alerta sido dado às 10h25, quando muitos dos moradores já não estavam em casa. “Felizmente, à hora que foi [a ocorrência], muitos dos habitantes do prédio estavam fora de casa a trabalhar e estariam as crianças na escola”, vincou.
A explosão causou danos “consideráveis no apartamento em si” e “projectou alguns escombros”, além da própria onda de choque, causadora de danos no prédio, nalgumas viaturas e em edifícios nas proximidades. “A explosão em si, pela sua força, ouviu-se praticamente em toda a cidade à volta do Vale das Flores e obviamente que a força da explosão provoca ondas de choque nos prédios contíguos”, acrescentou.
Nos edifícios adjacentes, o estrago está mais ligado aos vidros e janelas, que já foram partidos pelos bombeiros, para evitar que se quebrem nas ruas.
O vereador adiantou que será feita uma vistoria para entender a origem do acidente, estando o acesso ao local vedado por questões de segurança e de capacidade de trabalho das autoridades. De acordo com a mesma fonte, é previsível “a necessidade de perceber os reais danos na estrutura durante esta terça-feira à noite e na próxima noite”, tendo por isso que haver um realojamento dos moradores, acrescentou.
Dois gatos e um cão foram também levados para o Canil Municipal, de acordo com Ricardo Lino.
“Os serviços municipais de Protecção Civil, com o apoio do Serviço de Acção Social e também da Cruz Vermelha, estão a fazer o acompanhamento psicológico de algumas pessoas e estaremos no local, obviamente, para dar esse suporte [de realojamento] quando as pessoas regressarem a casa, porque há pessoas que ainda não sabem o que é que aconteceu”, frisou.
Até às 12h30 desta terça-feira, estiveram no local o Serviço Municipal de Protecção Civil, os Bombeiros Sapadores e Voluntários de Coimbra, a PSP e a Polícia Judiciária, para investigar o caso, algo “normal perante um cenário deste aparato, que, de facto, foi uma explosão grave”.
Paula Teixeira, de 57 anos, moradora de um prédio numa rua paralela à Augusto Marques Bom, contou à agência Lusa que estava em casa quando a explosão partiu os vidros da sua varanda, fazendo os cortinados voarem para dentro.
“Eu só vejo a minha filha [de 19 anos] a correr para mim. Eu nem sabia o que estava a acontecer e os cortinados pareciam que tinham sido soprados”, explicou, adiantando que, apesar do susto, ninguém ficou ferido. “Era um filme de terror”, classificou.