Frankie Floridia está habituado a receber chamadas sobre todo o tipo de situações de resgate de animais: um gatinho preso num colector de águas pluviais, um guaxinim com um frasco preso à cabeça, um veado enredado numa rede de descanso.
“Respondemos a chamadas que são muito difíceis de resolver para os proprietários das casas e para outras pessoas”, disse Floridia, presidente de uma associação de animais em Long Island, no estado de Nova Iorque. “Já vi de tudo. Já nada me choca.”
No início deste mês, contudo, a equipa recebeu uma chamada do gabinete do procurador distrital do condado de Suffolk que o surpreendeu até a ele. Centenas de ratos domésticos foram encontrados numa casa agora considerada inabitável, nos subúrbios da cidade de Nova Iorque.
Havia duas opções, explicou: exterminar os ratos ou resgatá-los — uma tarefa que exigia um esforço imenso. “A atitude humana é não chamar um exterminador e salvar estes pequenos animais, que são felizes e querem viver”, afirmou Floridia.
A equipa concordou em resgatar e realojar os ratos, muitos dos quais apresentavam ferimentos e outros problemas de saúde. Os ratos domésticos diferem dos ratos selvagens, uma vez que foram criados como animais de estimação e são geralmente mais pequenos, mais dóceis, mais sociáveis e mais fáceis de manusear do que os ratos selvagens. Os ratos domésticos apresentam também uma maior variedade de cores de pelagem.
Um grupo de cerca de dez voluntários capturou até agora mais de 450 ratos, restando ainda cerca de 40 na casa. Deram à missão um nome: Project Ratatouille.
O resgate tem sido difícil, disse Floridia, uma vez que os ratos podem ser complicados de apanhar. Alguns foram capturados à mão, outros com redes. “Eles estão nas paredes; estão nos armários; estão nas gavetas; estão no sofá”, disse Floridia. “Estavam basicamente em todo o lado.”
Depois de capturados, os ratos são separados por sexo para evitar mais reproduções. As fêmeas podem dar à luz entre oito e 18 crias a cada três ou quatro semanas.
Floridia disse suspeitar que o proprietário da casa tivesse ratos de estimação que se reproduziram repetidamente. Não acredita que se tratasse de uma operação de criação intencional. “Esta situação terá estado fora de controlo apenas durante seis meses”, afirmou.
Os ratos feridos e doentes foram levados para um hospital veterinário local para tratamento, e os restantes foram transportados para lares de acolhimento temporário. “Depois são preparados e ficam prontos para adopção”, disse Floridia.
Menos de dez dos ratos resgatados foram submetidos a eutanásia. Pessoas individuais e outros grupos de resgate disponibilizaram-se para acolher ou adoptar os ratos, e alguns voluntariaram-se para os transportar para casas fora do estado. “Existe um estigma”, disse Floridia, reconhecendo que os roedores são por vezes vistos como repugnantes ou assustadores.
Disse que muitas pessoas não se apercebem de que os ratos são “na verdade muito inteligentes; são muito limpos e são excelentes animais de estimação”.
Além disso, devem ser adoptados aos pares ou em grupos maiores, uma vez que são animais sociais — o que torna ainda mais difícil encontrar-lhes adopção.
“Os ratos gostam de companhia“, disse Kutzing. “Os humanos não conseguem imitar o tipo de interacção social de que eles precisam com outro rato.”
“Estou envolvida em resgates desde 1990. … A comunidade de resgate de ratos é, de longe, a mais bondosa”, disse Kutzing. “Penso que isso se deve ao facto de os ratos serem os desfavorecidos e poderem quase representar as pessoas esquecidas; as pessoas que nem sempre se enquadram. As pessoas identificam-se com os ratos porque eles são, de certa forma, vistos como marginalizados.”
O proprietário da casa foi acusado de crueldade contra animais, negligência e colocação em perigo do bem-estar de uma criança, segundo a Associated Press.
“Não vamos parar até encontrarmos uma casa para todos”, disse Kutzing. “Não temos outra escolha.”