Casas na cidade siciliana de Niscemi ficaram à beira de um precipício após um deslizamento de terra provocado por uma tempestade na semana passada, disse o chefe da protecção civil italiana esta terça-feira. Niscemi, uma cidade com cerca de 25 mil habitantes no Centro Sul da Sicília, fica num planalto que, segundo as autoridades, está a desmoronar-se gradualmente, em direcção à planície abaixo. Mais de 1500 pessoas tiveram que abandonar as suas casas.

Os edifícios ficaram pendurados nas frágeis parcelas de terra depois de uma grande parte da encosta ceder. Um carro ficou com a parte dianteira enfiada no abismo.

“Vamos ser claros: há casas à beira do deslizamento de terra que estão inabitáveis”, admitiu o chefe da protecção civil, Fabio Ciciliano, em declarações aos jornalistas em Niscemi, afirmando que os residentes das áreas afectadas seriam realojados permanentemente.




Casas na cidade siciliana de Niscemi ficaram à beira de um precipício
REUTERS/Danilo Arnone

“Assim que a água for drenada e a secção em movimento parar ou abrandar, será feita uma avaliação mais precisa… O deslizamento de terras ainda está activo”, acrescentou.

Cem milhões para as áreas mais afectadas

Na segunda-feira, o Governo italiano da primeira-ministra Giorgia Meloni declarou estado de emergência na Sicília, Sardenha e Calábria, as três regiões do sul atingidas pela violenta tempestade na semana passada.

Os fenómenos meteorológicos extremos tornaram-se mais frequentes na Itália nos últimos anos. As inundações devastaram cidades em todo o país, matando dezenas de pessoas e ampliando os riscos de deslizamentos de terra e inundações, mesmo em áreas historicamente menos expostas.




Uma vista aérea capturada por um drone mostra o local de um deslizamento de terra em Niscemi.
ROSARIO CAUCHI / EPA

O Governo reservou 100 milhões de euros para as necessidades iniciais das áreas mais afectadas. Mas as autoridades locais estimam os danos em mais de mil milhões de euros, depois de ventos e ondas fortes terem empurrado o mar para o interior, sobrepondo-se às defesas costeiras e destruindo casas e empresas.

Em Niscemi, as evacuações repentinas de algumas zonas alimentaram a ansiedade e a raiva entre os residentes, alguns dos quais afirmam que os deslizamentos de terra anteriores não foram resolvidos.

“Disseram-me que tenho de sair, mesmo que não tenha nada (desmoronado) na casa ou por baixo dela”, disse Francesco Zarba. “Tivemos o primeiro deslizamento de terra há 30 anos e ninguém fez nada.”