A intenção talvez tenha sido boa, mas o resultado foi quase ofensivo. Pois o coquetel Wagner Moura-tini traz ingredientes que nada têm a ver com o ator, “O Agente Secreto” ou o Brasil. Feita por ocasião da premiação do New York Film Critics Circle, a mistura teve dois minutos de fama. Traz vodca, purê de lichia e limão siciliano.

Estranho não terem pensado em cachaça. Ficaria muito melhor com a pernambucana e popular Pitú, que é bastante exportada, ou com uma aguardente baiana, da terra de Moura, como a orgânica Serra das Almas (nome também de um filme de Lírio Ferreira, diretor recifense como Kleber Mendonça Filho).

Sempre um gentleman, Moura curtiu. Mas ficou decepcionado ao tentar comemorar os prêmios no Globo de Ouro com uma caipirinha decente. Acabou indo de vodca e água com gás, o que é muito sem graça. Fica o aviso para o pessoal do Oscar.

De qualquer forma, sempre há a infalível cerveja, com a qual Tânia Maria, no papel de Dona Sebastiana, brinda com os refugiados que acolheu com carinho e coragem. Uma marca famosa, muito espertamente, recriou a cena num comercial. Não deixa de ter um “efeito Havaianas”, pois aqueles que morrem de saudades do regime militar torcem o nariz para o rótulo, que estampa uma estrela vermelha.

O Globo de Ouro também premiou “The Studio“, gozação genial dos bastidores de Hollywood, com gosto de homenagem. Seth Rogen interpreta o produtor inseguro e atrapalhado que é promovido a diretor de um grande estúdio. Quer agradar a todo mundo e ao mesmo tempo manter seus padrões de cinéfilo, mas tudo o que faz gera situações histericamente constrangedoras, deixando o espectador entre a aflição e a risada.

Pastelões à parte, é um mundo de carros vintage, ternos estilosos e coquetéis, tão naturais quanto as câmeras e atores famosos (vários aparecem, interpretando a si mesmos). Em um dos episódios, o nerd Matt Remick (Rogen) fala casualmente que vai tomar uns martinis com Chris Hemsworth. Como em “Mad Men”, isso é sinônimo de fortalecer contatos e fazer negócios.

Nos anos 1970, produtores como o glamouroso Robert Evans fechavam acordos em hoteis de luxo, à beira da piscina ou em festas onde a palavra excesso mal dava para descrever o que acontecia.

O próprio Globo de Ouro é escrachado na série criada e dirigida por Rogen. Começa numa limusine, em que ele, solitário, bebe um drinque enquanto vai para o local do prêmio. É a quietude que prenuncia o desastre. Em outro capítulo, oferece “Kool-Aid mimosas” à equipe que havia produzido um filme sobre o Ki-suco dos EUA (com o intuito de repetir a nostalgia-pop de “Barbie”). Todos cospem a mistura – é pavorosa.

Os lendários produtores Irving Thalberg, Darryl Zanuck e David O. Selznick nem pensariam em tamanha heresia, pois raramente saíam do script de martinis, uísques e champanhes. Era a velha Hollywood.

Hollywood

  • 45 ml de rum claro
  • 10 ml de suco de toranja
  • 7 ml de grenadine
  • Uma clara de ovo

Bata os ingredientes sem gelo e em seguida repita a operação com gelo. Coe para uma taça coupe e rale um pouco de noz-moscada por cima.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.