O Ministério da Saúde da Índia revelou, a 13 de janeiro, que foram identificados dois casos de infeção pelo vírus Nipah. A doença está a deixar a Organização Mundial da Saúde (OMS) preocupada, devido ao potencial para causar uma epidemia, uma vez que não existe vacina nem tratamento específico.
De acordo com reportagens dos jornais “The Hindu”, “The Telegraph” e “The Independent”, duas enfermeiras de um hospital privado perto de Calcutá foram infetadas e uma delas está em estado crítico. As autoridades de saúde indicaram que uma investigação preliminar sugere que ambas as pacientes contraíram a patologia a partir de um doente com sintomas respiratórios graves. O paciente morreu antes de poder ser testado para Nipah.
Este é um vírus é zoonótico, ou seja, transmite-se entre animais e seres humanos, e, em fases avançadas, tem uma taxa de mortalidade superior a 70 por cento.
“Dada a gravidade da infeção pelo vírus Nipah, uma doença com elevada taxa de mortalidade e potencial de rápida disseminação, a situação está a ser tratada com a máxima prioridade”, afirmou um responsável do Ministério da Saúde ao “The Hindu”.
Segundo a OMS, o Nipah pode causar várias manifestações clínicas, desde infeções assintomáticas até doenças respiratórias agudas e encefalite fatal, uma inflamação grave do cérebro. O vírus provoca igualmente doenças graves em animais, como os porcos.
A entidade explica também que a transmissão ocorre quando as pessoas são expostas a secreções de animais ou entram em contacto com tecidos de espécies infetadas. Alguns surtos também foram associados ao consumo de frutas ou produtos derivados da mesma, contaminados com urina ou saliva de morcegos frugívoros infetados.
O primeiro surto reconhecido ocorreu na Malásia, em 1999, tendo causado a morte de cerca de 100 pessoas no país e também em Singapura. Para conter a propagação da doença, cerca de um milhão de porcos foram abatidos.
Os sintomas iniciais incluem febre, dores de cabeça, dores musculares, vómitos e dor de garganta. Com o passar do tempo pode evoluir para tonturas, sonolência, alterações do estado de consciência e problemas neurológicos associados à encefalite. Podem ainda surgir pneumonia e outras complicações respiratórias. O período de incubação do vírus varia entre quatro e 14 dias.
Para combater a propagação, o governo de Hong Kong anunciou este segunda-feira, 26 de janeiro, que vai fazer um reforço dos controlos de saúde para os viajantes que chegam da Índia.
O objetivo é “realizar o rastreio da temperatura dos viajantes nas portas de embarque relevantes, realizar avaliações médicas em viajantes sintomáticos e encaminhar casos suspeitos com potencial impacto na saúde pública para os hospitais para exame”, disse Edwin Tsui Lok Kin, diretor do Serviço para a Proteção da Saúde, em comunicado.