A barragem do Alqueva iniciou às 16h descargas controladas a partir dos seus descarregadores de meio fundo. É a quinta vez, desde 2010, que a EDIA recorre a este tipo de intervenção, quando a albufeira atinge o seu nível de pleno enchimento à cota 152 metros acima do nível do mar.
A albufeira de Alqueva encontrava-se às 23hoo de terça-feira à cota 151,50 metros acima do nível do mar, que corresponde a um nível de armazenamento de 3954,58 hm3, ou seja, a apenas 50 centímetros do seu enchimento pleno (4150 hm3).
Às 14h30 horas desta quarta-feira, o açude de Badajoz libertava 540 m3 por segundo, um volume de água que continua a aumentar e é reflexo dos efeitos da tempestade Kristin, com elevadas precipitações que vieram acrescer às sucessivas depressões atmosféricas registadas ao longo de 2025 e Janeiro de 2026.
“Foi uma noite horrível”, destacou a comunicação social da Extremadura, após horas marcadas por fortes rajadas de vento e chuva, que se traduziram num anormal volume de escorrências para o rio Guadiana, em território espanhol e, consequentemente, no elevado volume de afluências à albufeira de Alqueva.
Para garantir alguma capacidade de encaixe para os caudais vindos de Espanha, o sistema hidroeléctrico de Alqueva foi forçado a pôr em funcionamento três grupos geradores que estão a debitar “um caudal instantâneo total turbinado da ordem dos 600 m³ por segundo”, informou o comunicado da EDIA divulgado nesta quarta-feira.
Descargas na barragem de Pedrógão
A manutenção de elevados caudais afluentes ao Sistema Alqueva-Pedrógão impôs descargas na Barragem de Pedrógão, que vão ter continuidade, prevendo-se que o descarregamento de caudais venha “a aumentar para valores da ordem dos 1500 m³/s nas próximas horas”, em função da evolução hidrológica que está prevista.
As descargas em curso “irão provocar a subida dos níveis do rio Guadiana a jusante da barragem de Pedrógão” alerta a EDIA, que solicita a colaboração de todas as entidades e das populações ribeirinhas, no sentido de garantir a salvaguarda de pessoas e bens. Recomenda a adopção de comportamentos de precaução nas zonas ribeirinhas que possam vir a ser afectadas
A empresa gestora dos recursos hídricos de Alqueva explica que o tempo de trânsito dos caudais descarregados pela barragem de Pedrógão “é de cerca de 18 horas até chegar ao Pulo do Lobo, podendo o aumento dos caudais na região de Mértola ocorrer apenas após um período superior a 18 horas, em função das condições de escoamento”.
A EDIA refere ainda que está a acompanhar “permanentemente” a evolução da situação, para proceder aos ajustamentos operacionais necessários e assegurar a articulação com as entidades competentes, para evitar ou minimizar os efeitos das descargas efectuadas nas populações residentes junto ao percurso do Guadiana, a jusante da barragem de Pedrógão.