O presidente do Município de Alvaiázere disse que o concelho tem um “cenário catastrófico” e referiu que foi sem apoio regional ou nacional que os agentes locais da Proteção Civil responderam ao embate da depressão Kristin.
“Em Alvaiázere, temos um cenário catastrófico com centenas de habitações muito danificadas estruturalmente, algumas pessoas desalojadas”, afirmou João Paulo Guerreiro, na quarta-feira, pelas 23h00, em conversa telefónica com a Lusa a partir de Leiria, onde conseguiu ter rede de telemóvel.
De acordo com João Paulo Guerreiro, na quarta-feira conseguiu-se desobstruir estradas, “das principais até às secundárias”, mas, ainda assim, “ficaram [vias] muito secundárias” por desimpedir.
“Montámos uma zona de acolhimento que, neste momento, está com cinco pessoas, com apoio médico, com apoio psicológico, e estamos, infelizmente, sem eletricidade e sem comunicações”, referiu o autarca.
O presidente da Câmara adiantou que a “principal prioridade é terminar os trabalhos de remoção das dezenas de milhares de árvores caídas”, assim como “manter a segurança das pessoas e restabelecer a normalidade na eletricidade e na comunicação”.
Elencando dificuldades de contacto com a E-Redes e operadoras de telecomunicações, João Paulo Guerreiro explicou que “o único meio de comunicação” que havia “era via rádio e essa via estava a ser usada para questões táticas e mais de comando e de estratégia de decisão”.
O autarca destacou a inexistência de vítimas, salientou que há “edifícios municipais também muito danificados, quase todos, de uma forma ou de outra, foram atingidos”, e repetiu a existência de um “cenário catastrófico”.
“Estou com alguma dificuldade em definir, porque estávamos à espera de um evento difícil, não estávamos à espera de um evento desta magnitude. A palavra que utilizo para definir é catástrofe, porque foi, efetivamente, o que aconteceu em Alvaiázere”, reiterou.
Por outro lado, realçou o trabalho exemplar de “todos os agentes da Proteção Civil”, mesmo “com comunicações muito limitadas e sem energia”.
“Sozinhos, sem nenhum apoio a nível regional ou nacional, conseguimos, com os meios que tínhamos disponíveis no concelho, dar uma resposta eficaz neste primeiro dia de embate. Agora, o importante é procurar restabelecer, o mais rapidamente possível, comunicações e energia elétrica, para que as instituições e as famílias possam funcionar dentro da normalidade possível”, acrescentou João Paulo Guerreiro.
O Plano Municipal de Proteção Civil está ativado e agora a autarquia espera ajuda do Governo, com medidas, para particulares e entidades, que possam ajudar a ultrapassar a situação e permitir a reconstrução do concelho.
Lusa