Segundo o JN apurou, a investigação em território moçambicano suscitou dúvidas, pelo facto de a tese de homicídio ter rapidamente passado a suicídio sem explicações coerentes com esse cenário. Para dissipar ou confirmar qualquer uma das teses, o IML do Porto realiza, esta quinta-feira, nova autópsia ao corpo de Pedro Ferraz Reis.

A morte de Pedro Ferraz Reis chocou a comunidade portuguesa e moçambicana e a disponibilidade para a cooperação na investigação com Portugal foi vista localmente como positiva e pouco comum.

Suicídio “provocado”

“Segundo o relatório médico-legal, assim como as provas encontradas no local, não existem dúvidas de ter sido suicídio. Entretanto, é preciso apurar porque pode ter sido suicídio, mas [o] suicídio, se calhar, pode ter sido provocado. Então, há esses elementos que precisam ser ainda apurados”, disse o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) de Moçambique , Hilário Lole, à Lusa.

De acordo com a polícia de investigação moçambicana, o cidadão português e administrador do banco BCI, subsidiária em Moçambique do grupo português Caixa Geral de Depósitos (CGD) e do também português BPI, cometeu suicídio na casa de banho de uma unidade hoteleira de luxo no centro de Maputo, com recurso a facas e ingestão de veneno para ratos.

Anteriormente, a porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) na cidade de Maputo, Marta Pereira, avançou que a morte do cidadão português era resultado de homicídio e que investigações estavam em curso, com base nas imagens de videovigilância do referido hotel, acrescentando que o crime aconteceu segunda-feira, 19 de janeiro, pelas 23.46 horas, e que se tratou de “um homicídio voluntário”.

Entretanto, uma petição online promovida por familiares e amigos apontava “a incongruência das explicações” sobre a morte do gestor português.

“A investigação realizada pelas autoridades moçambicanas foi dada como concluída num curto espaço de tempo (horas), passando rapidamente da tese de homicídio a suicídio”, lê-se na petição, dirigida ao presidente da Assembleia da República e ao ministro dos Negócios Estrangeiros, classificando como “descabida e inimaginável” a explicação de que Pedro Reis “saiu do seu local de trabalho para ir a sua casa tirar uma faca da sua cozinha, deslocando-se, depois, a um estabelecimento comercial para adquirir mais duas facas, seguindo depois para outro estabelecimento comprar veneno para os ratos, para em seguida cometer suicídio num hotel”.

Segundo o Sernic, no dia 19 de janeiro, Pedro Reis saiu do local de trabalho às 14 horas (12 horas em Portugal continental), em direção a casa, de onde tirou uma faca. Deslocou-se a um estabelecimento comercial, na marginal de Maputo, para adquirir, entre outros bens, mais duas facas, depois encontradas no interior da sua viatura. De seguida, deslocou-se a outro estabelecimento, onde adquiriu o veneno para ratos, tendo sido “encontradas partes dessa substância no seu organismo” no exame médico-legal.