Do lado português, Nuno Melo classificou o momento como “um dia muito importante para Portugal e para a Marinha”, sublinhando que os novos navios não são apenas reabastecedores, mas plataformas logísticas polivalentes, com capacidade para transporte de pessoal, carga, apoio humanitário e projeção de forças.
“São navios que permitirão que Portugal tenha uma Marinha oceânica, com grande dimensão e grande capacidade de projeção”, afirmou o ministro, enquadrando o projeto no esforço mais amplo de modernização da Armada, que deverá traduzir-se na entrada em serviço de novas unidades ao longo dos próximos anos.
O governante destacou ainda o impacto da Marinha na soberania marítima e na segurança interna, lembrando o seu papel em missões de busca e salvamento e no combate ao narcotráfico, com apreensões de grandes quantidades de cocaína nos últimos anos.
Em termos financeiros, Nuno Melo confirmou que o custo do contrato com a STM, o qual inclui dois reabastecedores, ronda os 100 milhões de euros, sublinhando que se trata de um valor substancialmente inferior ao de propostas concorrentes no mercado internacional. Segundo explicou, o projeto representa uma poupança relevante, mantendo elevados padrões de qualidade.
O ministro destacou também o contributo nacional no design e conceção dos navios, afirmando que o projeto resulta do trabalho da engenharia naval portuguesa e da Marinha, que ajudaram a criar uma nova tipologia de unidade, para lá da função tradicional de reabastecimento.
Embora a construção estrutural decorra na Turquia, uma parte significativa do apetrechamento será feita em Portugal, incluindo sistemas tecnológicos, comunicações e outros equipamentos, envolvendo empresas nacionais ao longo do ciclo de vida das embarcações.
O CEMA sublinhou o significado estratégico do momento, afirmando que uma Marinha oceânica exige um processo contínuo de renovação de capacidades e que estes navios são fundamentais para garantir operações sustentadas em mar alto.
“Uma Marinha não é um projeto pontual, é um projeto contínuo”, afirmou, acrescentando que estas unidades são essenciais para um país com a geografia de Portugal, marcado pela descontinuidade territorial e pela centralidade do oceano.
O responsável naval revelou também que a Marinha portuguesa já tem equipas técnicas envolvidas no acompanhamento da construção, com oficiais e especialistas destacados no estaleiro para garantir controlo de qualidade, cumprimento contratual e preparação das futuras guarnições.
O ministro turco assinalou que os navios “irão reforçar as capacidades da Marinha Portuguesa em matéria de paz, estabilidade e gestão de crises, contribuindo também para as capacidades coletivas da NATO quando entrarem em serviço”. Destacou ainda que a capacidade de reabastecimento e apoio logístico é hoje “um dos elementos fundamentais da eficácia da força”.
A entrega do NRP Luís de Camões está prevista para 2028, seguindo-se o NRP D. Dinis no mesmo ano. Para Portugal, o programa representa o regresso de uma capacidade crítica de sustentação naval e um passo estruturante na consolidação de uma Marinha moderna, oceânica e tecnologicamente reforçada. Para a Turquia, marca a afirmação da sua indústria de Defesa como fornecedora de países aliados e parceira em programas navais internacionais.
A jornalista viajou para a Turquia a convite do Ministério da Defesa Nacional