O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está a analisar as opções para lidar com o Irão, não descartando ataques contra forças de segurança e líderes iranianos para inspirar manifestantes. Teerão, que promete uma “resposta esmagadora” no caso de uma agressão norte-americana, sofreu esta quinta-feira um novo revés, com a União Europeia (UE) a aplicar sanções individuais e a classificar a Guarda Revolucionária do país como terrorista.
Segundo duas fontes oficiais norte-americanas ouvidas pela agência Reuters, Trump quer criar condições para uma “mudança de regime” no Irão e não exclui o uso do poderio militar. Recentemente, um porta-aviões e navios de guerra auxiliares chegaram ao Golfo Pérsico.
Uma opção seria atacar comandantes e instituições iranianas que os EUA acreditam serem responsáveis pela repressão – ação que Washington espera que incentive a tomada do poder pelos revoltosos.
De acordo com uma das fontes ouvidas pela agência britânica, Trump poderá ainda escolher bombardear mais intensamente o país, tendo como alvo o programa nuclear ou os mísseis balísticos que podem atingir aliados, como Israel.
Quatro representantes árabes, três diplomatas do Ocidente e uma fonte ocidental sénior, cujos Governos têm conhecimento das discussões, expressaram à Reuters preocupação de que um eventual ataque tenha um efeito reverso nas ruas.
Os protestos, iniciados no final de dezembro devido à situação económica, evoluíram para uma contestação do sistema teocrático, tendo a repressão provocado mais de seis mil mortes, segundo a organização HRANA, com sede nos EUA – com outras estimativas a indicarem mais de 30 mil mortos.
Perante as ameaças de Washington, o comandante em chefe do Exército de Teerão, Amir Hatami, prometeu hoje uma “resposta esmagadora” a qualquer ataque. A declaração ocorreu na televisão estatal, que noticiou ainda que as Forças iranianas adicionaram mil “drones estratégicos” aos seus regimentos de combate.
Guarda Revolucionária na lista de terroristas
Numa reunião de chefes da diplomacia da UE, o bloco aprovou, com o voto favorável de Portugal, que a Guarda Revolucionária Islâmica seja designada uma organização terrorista. “”Terrorista” é, de facto, como se chama a um regime que esmaga os protestos do seu próprio povo com sangue”, escreveu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
A decisão simbólica, saudada por Israel, veio no mesmo dia em que Bruxelas anunciou sanções ao ministro do Interior, ao procurador-geral e aos comandantes regionais da Guarda Revolucionária do Irão.