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Em declarações ao 24notícias, Filipe Matos, professor no departamento de Engenharia Civil na Universidade de Aveiro, especialista nos domínios das estruturas de madeira, desde a caracterização da madeira, conceção de ligações ao diagnóstico e reforço de elementos e ligações de madeira, afirma que as casas de madeira são seguras e resilientes, mesmo em contextos de tempestades severas, desde que sejam bem projetadas e construídas de acordo com normas técnicas adequadas.
“Existe um preconceito histórico em relação às casas de madeira, muito associado à ideia de fragilidade. Do ponto de vista da engenharia, isso não corresponde à realidade. A madeira é um material estrutural altamente eficiente, com excelente comportamento face a ações dinâmicas como vento forte ou sismos”, diz.
Segundo o docente, a leveza da madeira pode ser, curiosamente, uma vantagem em situações de tempestade. “Estruturas mais leves estão sujeitas a menores forças inerciais. Quando corretamente ancoradas às fundações, as casas de madeira conseguem dissipar melhor a energia do vento”, refere.
O especialista aponta o exemplo dos Estados Unidos, onde milhões de habitações são construídas em madeira, incluindo em regiões frequentemente atingidas por furacões, tornados e tempestades severas. “Estados como a Flórida ou a Carolina do Norte têm códigos de construção muito exigentes. As casas de madeira que cumprem essas normas demonstram, repetidamente, um bom desempenho estrutural”, assinala Filipe Matos.
De acordo com o professor universitário, os maiores danos observados após tempestades, tanto em Portugal como noutros países, estão frequentemente relacionados com falhas de projeto, má execução ou falta de manutenção, e não com o material em si. “Telhados mal fixados, estruturas antigas ou construções ilegais são sempre mais vulneráveis, sejam de madeira, betão ou alvenaria”, acrescenta.
A tempestade Kristin expôs, mais uma vez, fragilidades nas construções em Portugal, sobretudo naquelas antigas ou precárias. Para o engenheiro, este contexto deve servir de oportunidade para repensar soluções de construção. “As casas de madeira modernas, sobretudo as que utilizam sistemas como o cross-laminated timber (CLT), oferecem elevados padrões de segurança, eficiência energética e rapidez de construção”, afirma o especialista.
O professor defende ainda que a madeira, além de segura, é uma opção sustentável e alinhada com os objetivos de descarbonização. “É um material renovável, com excelente desempenho estrutural e ambiental. A questão central não é se a casa é de madeira, mas se foi bem projetada e bem construída”, diz.
Num país cada vez mais exposto a eventos climáticos extremos, como têm referido vários especialistas climáticos, o professor conclui que a segurança das habitações depende mais da engenharia do que do preconceito. “A tempestade Kristin mostrou-nos que precisamos de construir melhor. E a madeira, quando usada corretamente, faz parte dessa solução”, concluiu.
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