O fenómeno Bolaño, como os fenómenos Ferrante, Knausgård ou Foster Wallace, centrou-se à volta de romances volumosos, escritos por figuras com elementos biográficos distintivos (o percurso sem eira nem beira de Bolaño, o anonimato da pessoa que assina “Elena Ferrante”, o look de estrela de cinema de Knausgaard, o suicídio de David Foster Wallace). No caso do laborioso ficcionista chileno, dois consideráveis tomos, “Os Detectives Selvagens” (1998) e “2666” (póstumo, 2004), alcançaram um êxito global. Mas há também os poemas, já traduzidos, e a ficção curta. “Contos Completos” reúne as cinco colectâneas de histórias de Bolaño, duas delas já disponíveis em tradução portuguesa: “Chamadas Telefónicas” e “Putas Assassinas” (de 1997 e 2001, respectivamente), e os póstumos “El gaucho insufrible”, “Diario de bar” e “El secreto del mal”. Não se pode dizer que o Bolaño em registo breve seja diferente das ficções mais longas; mas é verdade que a expansividade é uma característica da sua prosa, que os romances contêm uma grande quantidade de fios narrativos (ou semiensaísticos), ou que os contos podiam bem ser capítulos ou hipóteses de romances. É, digamos, uma ficção total, mas que não se parece nada com a dos mestres do Boom, nem com os universos mais cerebrais de Borges.
SubscreverJá é Subscritor?Faça login e continue a lerInserir CódigoComprou o Expresso?Insira o código presente na Revista E para continuar a ler