Meteo Trás os Montes – Portugal

Mau tempo fez estragos na Figueira da Foz

Vários pontos do país estão a precisar de socorro devido ao mau tempo. Seis pessoas ficaram desalojadas, esta quarta-feira, no concelho da Batalha, onde a rede SIRESP deixou de funcionar.

A passagem da depressão Kristin pelo território português está a deixar um rasto de destruição, causando já seis mortos, vários feridos e desalojados.

Os distritos mais afetados foram Leiria (por onde a depressão entrou no território continental), Coimbra, Santarém e Lisboa.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) registou 192 ocorrências, entre as 00h00 e as 08h00 desta quinta-feira, relacionadas com o mau tempo, a maioria na região de Coimbra e Leiria, disse à Lusa José Miranda.

Foram registadas 192 ocorrências, 79 das quais quedas de árvores, 62 inundações de via e 28 quedas de estruturas. Não vítimas a registar”, adiantou José Miranda, acrescentando que esta noite, comparativamente ao dia de quarta-feira, foi mais calma.

A região mais afetada foi a de Coimbra com 53 ocorrências, seguida da de Leira com 23, e pelas Beiras e Serra da Estrela com 15.

“As restantes ocorrências foram registadas um pouco por todo o território do continente. Quanto a estradas, municipais há muitas interditas, mas ainda estamos a recolher informação”, indicou.

Num balanço anterior, a ANEPC, relativo ao período entre as 00h00 e as 22h00 de quarta-feira em Portugal continental, tinha registado mais de 5.400 ocorrências, envolvendo o empenhamento de mais de 18.000 operacionais, tendo as regiões de Leiria e do Oeste sido as mais afetadas pelo mau tempo a nível de danos.

A maioria das ocorrências estavam relacionadas com queda de árvores (3.375) e queda de estruturas (1.138).

Esta quinta-feira de manhã ainda se mantinham suspensas, devido a problemas causados na via pelo mau tempo, as Linhas da Beira Baixa, do Oeste e do Norte, entre Porto e Lisboa, para os comboios de longo curso e serviço regional entre Coimbra B e Entroncamento.

A Proteção Civil está em estado de prontidão especial de nível 4, o máximo, em toda a orla costeira entre Viana do Castelo e Setúbal, e há avisos meteorológicos vermelhos (nível mais grave) em toda a costa do continente.

Cerca de 450 mil clientes da E-Redes em Portugal continental estavam às 08h00 sem eletricidade, com o distrito de Leiria a concentrar a maior parte das situações, segundo a empresa.

“O distrito de Leiria sofre o maior impacto com 300 mil clientes afetados. No resto do território continental a incidência regista-se nos distritos de Santarém, Coimbra e Castelo Branco”, de acordo com a empresa, numa informação enviada à Lusa.

SIRESP deixou de funcionar na zona de Leiria

“O SIRESP [Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal] funcionou de manhã e à tarde deixou de funcionar. Nunca mais voltou a funcionar, a não ser em algumas zonas em São Mamede”, afirmou à agência Lusa André Sousa, presidente do município da Batalha, do distrito de Leiria.

O autarca da Batalha, que falava à Lusa depois das 22h00 de quarta-feira a partir de Fátima, no concelho vizinho de Ourém, para onde se deslocou para ter rede de telemóvel, precisou que “a rede Siresp funcionou desde as 05:00 até às 11h00, 12h00”.

Destacando que a “principal notícia” é que o concelho não registou vítimas, André Sousa referiu que há “seis desalojados, mas, conjuntamente com os serviços municipais, conseguimos encontrar soluções em casa de familiares”, declarou.

As escolas dos concelhos de Ansião, Marinha Grande, Pedrógão Grande e Pombal continuam fechadas devido ao mau tempo – tal como em Soure, no distrito de Coimbra, e outras cinco escolas do concelho de Castelo Branco, nomeadamente por falta de energia elétrica.

Douro e Tâmega poderão transbordar

A chuva intensa dos últimos dias (e semanas) estão a colocar pressão sobre os sistemas de pressão das barragens.

Segundo José Pimenta Machado, presidente da APA – Agência Portuguesa do Ambiente, à Antena 1, os riscos de cheias nas próximas horas são críticos especialmente na foz do Douro, no Porto e no rio Tâmega, em Amarante.

“Na foz do Douro estamos a gerir a coisa de forma a evitar que o caudal do rio não suba e possa eventualmente transbordar. E estamos também preocupados com o Tâmega. Estamos a gerir para não inundar as zonas comerciais. Há muita água a circular no rio Tâmega”, alertou.

Esta quarta-feira, o Rio Sado inundou, sim, Alcácer do Sal.

Naquele município do distrito de Setúbal um lar de idosos, na baixa da cidade, teve de ser evacuado preventivamente, após o Rio Sado ter galgado as margens e inundado a zona, revelou fonte camarária. Foram retirados os 20 idosos utentes da instituição, que foram levados para uma outra estrutura, situada na zona alta da cidade e para casa de familiares.

“Estamos aqui em Alcácer do Sal, neste momento [poor volta das 19h10] com a avenida completamente tapada, o Mercado Municipal também já com alguns centímetros de água [e] tivemos de fazer a evacuação do lar da AURPICAS, através dos bombeiros”, disse à agência Lusa o vereador com o pelouro da Proteção Civil, António Grilo.

Governo decreta situação de calamidade

O Governo decidiu, esta quinta-feira de manhã, em Conselho de Ministros decretar a situação de calamidade “nas zonas mais afetadas pela tempestade Kristin”, divulgou o gabinete do primeiro-ministro, que visita os distritos de Leiria e Coimbra.

O comunicado informa que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, decidiu “cancelar a agenda externa, prevista para os próximos dias (viagens a Andorra e à Croácia) e que visitará as zonas afetadas no distrito de Leiria e Coimbra.


Subscreva a Newsletter ZAP


Siga-nos no WhatsApp


Siga-nos no Google News