Pouco mais de um mês depois de ter anunciado uma vaga de 13 mil despedimentos, que irá afetar 87 trabalhadores em Portugal, onde tem duas fábricas e ainda recentemente teve em “lay-off” cerca de 2.500 dos seus mais de seis mil funcionários, a Bosch apresentou os resultados preliminares obtidos no ano passado, classificando 2025 como “um ano financeiro extremamente desafiante”.
“A realidade económica reflete-se nos nossos resultados – 2025 foi um ano difícil e, por vezes, doloroso para a Bosch”, afirma o presidente do grupo alemão, Stefan Hartung, em comunicado.
Segundo as contas agora reveladas, as vendas da multinacional registaram um ligeiro aumento de 2%, para 91 mil milhões de euros, com a margem EBIT a fixar-se em apenas 1,9% em 2025, “abaixo das expetativas”, contra 3,5% no ano anterior.
“Num ambiente desfavorável, continuamos a trabalhar de forma sistemática na nossa estratégia de crescimento, que também nos exige reforçar a nossa competitividade. Estamos agora a traçar o nosso rumo para o futuro”, aponta o presidente da Bosch, sinalizando que o grupo “planeia continuar a beneficiar da sua presença global, da sua marca forte e da experiência tecnológica”.
No entanto, antecipa uma concorrência cada vez mais intensa num contexto económico desfavorável, pelo que não prevê que a situação se alivie no exercício financeiro em curso.
“É provável que a pressão competitiva e também sobre os preços aumente ainda mais, e as tarifas acrescidas terão o seu impacto total pela primeira vez”, sinaliza Hartung.
Entretanto, a Bosch espera registar progressos significativos com as medidas que implementou no âmbito da sua Estratégia 2030.
“Começaremos a ver efeitos positivos na margem assim que melhorarmos a nossa situação de custos e competitiva”, afirma.
“Mas, dado o contexto económico fraco e o ambiente desfavorável, só alcançaremos a nossa margem-alvo de 7% em 2027, no mínimo”, aponta.
Apela à ação da Europa para “a concorrência atualmente claramente distorcida mais justa”
Relativamente à competitividade regional, a Bosch acredita que a Europa tem um potencial enorme – “desde que os decisores políticos e a sociedade consigam ultrapassar o ceticismo existente face ao progresso tecnológico”, defende.
Hartung expressa preocupação com os últimos resultados do Bosch Tech Compass, um inquérito que revela como as pessoas nos principais países industrializados percebem as novas tecnologias.
Segundo o estudo, menos de dois terços dos alemães acreditam que o progresso tecnológico tem um impacto positivo, e em França os números são ainda mais baixos. “Isto é altamente alarmante”, considera Hartung, sustentando que “a única forma de um país ou de uma sociedade sobreviver na competição global é se houver pelo menos vontade suficiente para promover o progresso tecnológico”.
Para atingir este objetivo, “empresas, sociedade e decisores políticos precisam de envolver-se ativamente com novas áreas tecnológicas, como o hidrogénio e a inteligência artificial, com maior coragem e determinação”, preconiza.
Como uma das empresas mais inovadoras do mundo, a Bosch tem aqui um papel a desempenhar. “É uma das empresas que mais pedidos de patente apresenta na Europa, tendo registado mais de 2.000 pedidos de patente apenas na área da inteligência artificial desde 2018”, realça o grupo germânico.
No que se refere a políticas protecionistas, o presidente da Bosch identifica “a necessidade de ação na Europa” e apela aos legisladores para “a introdução de regras de conteúdo local direcionadas, o que poderia tornar a concorrência atualmente claramente distorcida mais justa”.
A 31 de dezembro passado, o grupo Bosch contava cerca de 412.400 trabalhadores, menos 5.400 do que um ano antes.
(notícia atualizada às 14:12)