Ao se reunir com jovens de vários continentes numa, Leão XIV afirmou que a política desempenha uma função social insubstituível, recordando que não haverá paz sem acabar com a guerra que a humanidade faz a si mesma quando descarta quem é fraco, quando exclui quem é pobre, quando permanece indiferente diante do prófugo e do oprimido.
Bianca Fraccalvieri – Vatican News
O Papa recebeu em audiência na manhã de sábado os cerca de 100 participantes da iniciativa “Uma Humanidade, Um Planeta: Liderança sinodal”. Trata-se de um programa bienal de formação para a ação política promovido pela ONG “New Humanity” do Movimento dos Focolares, em colaboração com a Pontifícia Comissão para a América Latina e com o apoio da Fundação Porticus.
O evento utiliza a metodologia do Hackathon e conta a participação de 100 jovens líderes dos cinco continentes, engajados em seus países na área política e social, de diferentes culturas e convicções políticas.
Após meses de intenso trabalho online, os jovens se reuniram em Roma de 26 de janeiro a 1º de fevereiro para traduzir o percurso de aprendizagem que compartilharam remotamente em propostas de impacto político.
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A foto de grupo (@Vatican Media)
Os “quatro sonhos” do Papa Francisco
Em seu discurso, o Pontífice enalteceu o método sinodal adotado, enquanto promove a escuta e o discernimento. De modo especial, o Santo Padre manifestou seu apreço pelo projeto “Quatro Sonhos” da Pontifícia Comissão para a América Latina, inspirado nos sonhos eclesial, ecológico, social e cultural do Papa Francisco contidos na Exortação Apostólica Querida Amazonia.
“Quão urgente é dedicar as melhores energias ao cuidado dessas áreas, especialmente em tempos marcados por muitas injustiças, violência e guerra! Hoje, o seu papel de líderes implica, portanto, uma responsabilidade crescente pela paz: não apenas entre as nações, mas também onde vocês moram, estudam e trabalham todos os dias”, afirmou, encorajando os jovens a buscarem, com coração puro e mente límpida, esta paz como dom, aliança e promessa.
“Sim, a paz é sobretudo um dom, porque a recebemos daqueles que nos precederam na história: é um bem pelo qual devemos agradecer. A paz é uma aliança, que nos incumbe de um compromisso comum: o de honrá-la, quando existe, e de realizá-la, quando falta. A paz, finalmente, é uma promessa, porque sustenta nossa esperança em um mundo melhor e, como tal, é buscada por todas as pessoas de boa vontade.”
Papa saúda os jovens presentes (@VATICAN MEDIA)
O aborto, guerra da humanidade contra si mesma
Neste contexto, prosseguiu o Papa, a política desempenha uma função social insubstituível, recordando que não haverá paz sem acabar com a guerra que a humanidade faz a si mesma quando descarta quem é fraco, quando exclui quem é pobre, quando permanece indiferente diante do prófugo e do oprimido.
“Somente quem cuida dos mais pequeninos pode fazer coisas realmente grandes”, afirmou Leão XIV, citando Madre Teresa de Calcutá, quando afirmava que “o maior destruidor da paz é o aborto”.
“Sua voz continua profética: nenhuma política pode, de fato, colocar-se a serviço dos povos se exclui da vida aqueles que estão prestes a nascer, se não socorre aqueles que se encontram em situação de necessidade material e espiritual.”
O Papa exortou os jovens a terem coragem diante dos muitos desafios do presente, pois não estão sós nesta luta pela fraternidade univeral. Deus está com eles. A propósito, afirmou que o título da iniciativa “Uma Humanidade, Um Planeta” mereceria ser completado com “Um Deus”:
“Reconhecendo Nele o bom criador, nossas religiões nos chamam a contribuir para o progresso social, buscando sempre o bem comum que tem como fundamento a justiça e a paz. Com essa certeza no coração, concedo a todos vocês, jovens, a todos aqueles que os acompanham e aos seus entes queridos, a bênção apostólica”.