Miguel Sousa Tavares diz ainda que o apoio de Cavaco Silva a Seguro mexeu com Ventura
Miguel Sousa Tavares afirmou esta quinta-feira na 5.ª Coluna, na TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal), que não estava à espera que Cavaco Silva apoiasse publicamente António José Seguro na segunda volta das presidenciais.
“Eu acho que o que virou a cabeça [de André Ventura] na segunda-feira foi o apoio de Cavaco Silva a António José Seguro”, diz o comentador da TVI. “Não estava à espera de ver Cavaco Silva tomar aquela posição. Isso foi a gota de água, transbordou o copo da paciência de André Ventura.”
Miguel Sousa Tavares considera que André Ventura está “desesperado” e que, ao adotar o discurso de ‘sou eu contra as elites’, está a ser “populista e demagogo”. “André Ventura não é elite? É formado em Direito. (…) O povo é isto? Se as elites são aqueles que leram alguns livros, que pensaram em algumas coisas, que contribuíram para a cultura deste país, (…) de facto constato que o Chega não tem um escritor, um pintor, um cineasta, um arquiteto, um físico, um investigador, ninguém. Tem o historiador Rui Ramos, parece, é a única pessoa do setor cultural. André Ventura acha que isto é uma vantagem? Acha que isto é bom para o país? Eu não acho”, afirma Miguel Sousa Tavares.
Sobre o comportamento dos dois candidatos presidenciais no debate de terça-feira, o comentador da TVI afirma que António José Seguro apresentou uma pose “institucional, já presidenciável, de quem não vai criar problemas nem conflitos e que vem para fazer o diálogo”. Por seu turno, considera Miguel Sousa Tavares, Ventura mostrou que seria um presidente que “geraria conflito”, dando o exemplo da nomeação para o cargo de procurador-geral da República.
“Não consigo perceber como é que alguém que é formado em Direito dá uma resposta daquelas.”