Apesar de muitas forças em contramão, é inevitável, os elétricos vão dominar as vendas. Hoje, os carros a gasolina foram ultrapassados pelos eletrificados na Europa.
Sim, Portugal também é um dos países responsáveis por esta reviravolta no resultado. Relembrar que em 2025, 69,7% dos veículos ligeiros de passageiros matriculados novos eram movidos a outros tipos de energia, nomeadamente elétricos e híbridos.
Indo agora ao encontro da Europa, são já conhecidos os dados de matrículas de automóveis em 2025. E o inevitável tornou-se realidade: o automóvel eletrificado impôs-se.
Impulsionadas sobretudo por grandes mercados, como a Alemanha ou o Reino Unido, as alternativas ao automóvel de combustão deixam claro que o futuro da indústria passa, sem margem para dúvidas, por uma tomada.
Uma mudança clara no tipo de automóvel vendido
Os dados de matrículas na UE em 2025 mostram uma tendência clara: um aumento significativo no registo tanto de veículos elétricos como híbridos.
O total de matrículas cresce uns discretos 1,8%, mas a verdadeira mudança não está no volume global, está no tipo de automóvel que é vendido.
Os carros elétricos a bateria representaram 17,4% da quota de mercado da UE em 2025, um aumento em relação à baixa base de referência de 13,6% um ano antes. Os registos de carros híbridos elétricos capturaram 34,5% do mercado, continuando a ser a escolha preferida entre os consumidores na UE. Entretanto, a quota de mercado combinada dos carros a gasolina e a diesel caiu para 35,5%, abaixo dos 45,2% registados em 2024.
O veículo de combustão pura começa a reduzir a sua quota no mercado europeu:
- HEV (híbridos e micro-híbridos): 34,5%
- Gasolina: 26,6%
- BEV (elétricos puros): 17,4%
- PHEV (híbridos plug-in): 17,4%
- Diesel: 8,9%
- Outros: 3,3%
O automóvel elétrico ocupa já o terceiro lugar no ranking, duplicando as vendas dos veículos a gasóleo, embora ainda abaixo dos híbridos.
Somando os valores, a variação homóloga (YOY) em dezembro de 2025 foi de um aumento de 51% para os elétricos puros e de 36,7% para os híbridos plug-in.
Crescimento forte nos principais mercados europeus
Os números entre janeiro e dezembro de 2025 mostram um aumento substancial nas matrículas de automóveis elétricos em países como a Alemanha (+43,2%), os Países Baixos (+12,6%) e a França (+12,5%).
É particularmente relevante este dado em países como Portugal, onde cerca de 26% dos ligeiros matriculados em 2025 correspondem a híbridos e híbridos plug-in.
Matrículas de ligeitos em Portugal no ano de 2025. Fonte: ACAP
O declínio da combustão
No final de 2025, as matrículas de automóveis a gasolina caíram cerca de 20%, sendo a quebra ainda maior nos veículos a gasóleo, com uma descida de 24,2%.
Se estes valores se mantiverem no curto prazo, os veículos totalmente elétricos não tardarão a ultrapassar, a nível europeu, os automóveis a gasolina, passando a ocupar o segundo lugar do ranking, apenas atrás dos HEV.
O cenário é claro: o veículo eletrificado está a crescer a passos largos, mas, em casos como o de Portugal, há detalhes importantes a considerar. Os dados de 2025 mostraram que 16,2% das vendas de ligeiros foram já de 100% elétricos.
O hibrido Renault Clio estabeleceu-se como o líder incontestado em 2025, totalizando 8.242 unidades matriculadas.
A letra pequena dos híbridos
Estes são veículos que combinam um motor de combustão com um pequeno sistema elétrico, geralmente de 48V, e uma bateria de reduzida capacidade. Nunca circulam em modo 100% elétrico, mas este sistema elétrico auxiliar ajuda a reduzir emissões e consumos.
Importa também recordar que o total de matrículas não reflete apenas as preferências dos utilizadores particulares. Os dados incluem matrículas destinadas a empresas e empresas de aluguer. Em concreto, em 2025, as matrículas de ligeiros de passageiros estiveram relativamente equilibradas, com 50.213 unidades para particulares e 43.362 para empresas.
Empresas e metas ambientais como motor da eletrificação.
A eletrificação do transporte está a levar as empresas a adquirir veículos eletrificados em volume, de forma a cumprir as futuras restrições europeias.
Recorde-se que a União Europeia reviu recentemente os seus objetivos, passando de uma meta de redução de emissões de carbono de 100% para um valor de 90%.





