As famílias de quatro cidadãos britânicos que morreram nos últimos meses de infecções gastrointestinais agudas contraídas em férias na ilha do Sal, em Cabo Verde, querem processar o operador de viagens TUI, que lhes vendeu os pacotes turísticos para hotéis da cadeia hoteleira espanhola Riu.
Elena Walsh, de 64 anos Mark Ashley, de 55, Karen Pooley, de 64, e outro homem não identificado de 56 anos morreram no final do ano passado, em incidentes separados, depois de terem passado férias em Cabo Verde.
Segundo o jornal britânico Independent, as suas famílias querem iniciar acções legais contra o operador turístico TUI por ter vendido os pacotes para as unidades hoteleiras cujas falhas de higiene estarão na origem das infecções que transformam as férias destes britânicos em autênticos pesadelos.
Os casos de Walsh, Ashley, Pooley e do outro homem não identificado são os mais recentes de um total de seis britânicos que morreram desde 2023, depois de férias em Cabo Verde, de acordo com o advogado Jatinder Paul, que trabalha para o escritório britânico Irwin Mitchell.
“O número de turistas em Cabo Verde que estão a ser atingidos por doenças gástricas graves e debilitantes é realmente impressionante. Nada expõe melhor a gravidade da situação do que estas mortes recentes”, disse o advogado de danos corporais ao Independent. O jornal refere que tentou obter um comentário da TUI, mas não conseguiu.
“Estou habituado a apoiar turistas que adoeceram em resorts em todo o mundo, mas nunca vi surtos repetidos e contínuos de doenças nos mesmos resorts, em tal escala e durante um período de tempo tão longo”, explicou.
O jornal Metro também refere este domingo que um surto de uma infecção provocada pela bactéria shigella atingiu milhares de turistas em Cabo Verde.
De acordo com o jornal britânico, mais de 1500 turistas contrataram advogados especializados para tomar medidas legais depois de adoecerem em viagens reservadas através da TUI.
Nos casos relatados na imprensa britânica neste domingo, de mortes que ocorreram no final do ano passado, são os hotéis do grupo Riu na ilha do Sal que ficam mal na fotografia.
“Fomos para Cabo Verde à espera de umas férias relaxantes, mas o Mark ficou gravemente doente e nunca recuperou”, contou ao jornal a mulher de Mark Ashley.
O casal comprou um pacote turístico de três mil libras (cerca de 3450 euros) pela TUI e em Outubro ficou hospedado no resort de cinco estrelas Riu Palace Santa Maria, na ilha do Sal.
Três dias após o início das férias, Ashley começou a queixar-se de dores de estômago, diarreia, vómitos, febre e letargia extrema. A doença e as preocupações com os padrões de higiene do hotel foram comunicados pelo casal através da aplicação da Tui a 9 de Outubro.
Após o regresso ao Reino Unido, os sintomas persistiram e Mark Ashley desmaiou em casa, em Houghton Regis, no dia 12 de Novembro, tendo sido levado de urgência para o hospital, onde foi declarado morto minutos depois.
O Sunday Times conta outro caso, o da enfermeira Elena Walsh, que em Agosto ficou instalada no Riu Cabo Verde, na ilha do Sal, com um pacote de férias também comprado através da TUI, no valor de cinco mil libras (cerca de 5750 euros), para umas férias com o marido, o filho e a futura nora.
Logo após a chegada, Walsh começou a sentir dores de estômago e diarreia. As dores tornaram-se tão fortes que ela foi levada para o hospital, onde os médicos pensaram que tinha apendicite e tentaram remover o órgão.
O marido, que esperava do lado de fora da sala de cirurgia, ouviu-a “gritar de dor”. “As últimas palavras que gritou foram ‘você está a magoar-me, você está a magoar-me’”, contou o marido ao Sunday Times, a partir de Birmingham. “Foram as últimas palavras dela”, disse.
Uma autópsia realizada no Reino Unido não encontrou nada de anormal no apêndice de Walsh. Concluiu-se que a causa de morte foi insuficiência cardíaca, com gastroenterite como causa secundária da morte.
Karen Pooley, de Lydney, ficou instalada com uma amiga no Riu Funana na ilha do Sal, numa viagem também reservada pela TUI. Chegou a Cabo Verde a 7 de Outubro e a 11 de Outubro começou a apresentar sintomas de doença.
Para agravar a situação, durante essa noite, numa das idas à casa de banho, escorregou em água que estava a escapar do frigorífico e fracturou um fémur. Foi transferida para uma clínica local, onde continuou a sofrer de diarreia e vómitos, além de dores intensas devido à fractura.
Karen Pooley ainda foi transportada de helicóptero para Tenerife (Espanha) para receber cuidados urgentes no dia 16 de Outubro, mas morreu na manhã seguinte, relata o Independent. A causa da sua morte foi atribuída a falência múltipla de órgãos, sépsis e paragem cardíaca, detalha o Metro.