Liam Conejo Ramos, menino de cinco anos detido pelos Serviços de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), tornou-se um símbolo do carácter controverso das operações levadas a cabo pelas autoridades anti-imigração. No sábado, um juiz federal ordenou a libertação de Liam e do pai, criticando severamente aquilo que descreveu como uma “perseguição mal concebida e incompetentemente implementada pelo Governo de Trump para cumprir quotas diárias de deportação, mesmo que isso implique traumatizar crianças”.
O Governo dos EUA não divulga dados diretos sobre o número de crianças sob custódia das autoridades de imigração. Ainda assim, informações federais relativas à detenção de famílias e análises independentes sobre a detenção de menores, a que o “The Washington Post” teve acesso, indicam que as autoridades estão a deter cada vez mais crianças – incluindo as mais jovens e vulneráveis – no âmbito do esforço da administração de Donald Trump para deportar um elevado número de imigrantes em situação irregular.
Nos últimos quatro meses, o número médio mensal de pessoas presas em centros de detenção – marcados por longas filas para acesso a bens essenciais e por cuidados médicos inadequados – quase triplicou, passando de 425 em outubro para 1304 em janeiro.
Uma análise independente do “Marshall Project” concluiu ainda que, só em 2025, foram detidos 3800 menores, entre os quais 20 bebés.
Protestos assolam EUA
Este fim de semana, os protestos contra o ICE assolaram várias cidades do país, incluindo Portland. Ao final da tarde de anteontem, milhares de manifestantes foram atingidos por gás lacrimogénio disparado por agentes federais.
Protestos em Minneapolis reuniram milhares de pessoas (Foto: John Moore / Getty Images / AFP)
Situações semelhantes registaram-se em Los Angeles, na sexta-feira. Os participantes denunciam o uso excessivo da força e maus-tratos por parte das autoridades em manifestações que descrevem como pacíficas.