Em Dezembro de 2020, em plena pandemia e consequente confinamento, Álvaro Meyer fundou a Volup, plataforma de entregas de comida premium, cinco anos depois, está prestes a estrear-se em Madrid e tem como objectivo expandir-se para outras cidades europeias.
Tudo começou por sentir a falta de restaurantes de alta gastronomia nos serviços de entrega já existentes. “Sou um apaixonado por gastronomia, adoro comer, sempre fui muito a restaurantes e, durante a pandemia, comecei a encomendar com frequência comida para casa, mas sentia que era sempre o mesmo tipo de oferta e que faltavam restaurantes de alta gastronomia”, conta à Fugas. Começou a falar com vários restaurantes do segmento mais alto e percebeu que não queriam estar associados a um serviço massificado ou a descontos, e resolveu dar vida à Volup.
Os primeiros passos foram dados via WhatsApp sobretudo com amigos que se tornaram clientes, mas a adesão foi crescendo e, depressa, surgiu a aplicação. Hoje tem 70 restaurantes parceiros em Lisboa e Cascais, entre os quais o Kanazawa de Paulo Morais, que está desde o início, o Kabuki, a Nunes Real Marisqueira, o Oven e o Porto de Santa Maria. Em Dezembro, foi a vez do Zunzum, de Marlene Vieira, integrar a app e, na próxima semana, acontece o mesmo com o 100 Maneiras e o Carnal, de Ljubomir Stanisic.
Fases, desafios e o futuro
Nestes cinco anos de vida, a Volup já passou por várias fases, até porque, confessa o fundador, o pós-covid trouxe vários desafios. “Os clientes não estavam dispostos a pagar o mesmo pelos pratos do restaurante em casa, preferiam visitar os estabelecimentos”, explica Álvaro Meyer.
A Volup ajudou os seus parceiros a desenvolver menus adaptados à entrega em casa
Carmo Raposo
O empresário percebeu, então, que tinha de mudar algo e olhou para o exemplo do Kanazawa que tinha um menu para a Volup adaptado às condições de transporte e consumo em casa e que “foi sempre um sucesso”. “Conversamos com os nossos fornecedores e juntos desenhámos menus adaptados, complementares à oferta do restaurante. Esta adaptação impulsionou o crescimento do negócio”, refere.
Uma outra mudança foi deixar de fazer entregas de vários restaurantes no mesmo pedido. “Isso poderia comprometer a qualidade do nosso serviço”, assume Álvaro Meyer, que procura sempre que a entrega seja perfeita. Para isso, há vários factores decisivos. “O primeiro é a escolha de pratos que funcionem bem neste canal de vendas, há alguns que só funcionam se forem consumidos no restaurante”, atesta.
O segundo são as embalagens, “têm de ser adequadas e ecológicas, damos preferência às que são feitas com cana-de-açúcar ou cartão reciclável e sabemos que os nossos clientes não se importam de pagar um pouco mais por isso”, realça.
O terceiro é a mochila da Volup. “Foi desenvolvida por nós e uma empresa portuguesa especializada em materiais isotérmicos para transportes e garante a temperatura dos alimentos, pois separa os pratos quentes dos frios. Este ano vamos ter uma nova mochila, mas as diferenças são apenas no design, os materiais usados e a tecnologia serão os mesmos”, salienta Álvaro Meyer.
Por fim, conta ainda a selecção e formação de motoristas. “As entregas na Volup são feitas exclusivamente de carro ou moto para garantir a integridade da comida e todo o nosso pessoal passa por uma formação”, garante o fundador.
Ir para outras cidades portuguesas é um objectivo, tal como crescer em Lisboa e Cascais, onde têm identificados cerca de 350 restaurantes, além dos que já têm no seu portfólio, mas enquanto isso não acontece, Álvaro Meyer está focado em Madrid. A estreia está marcada para Março e 15 restaurantes já estão confirmados. “A meta é replicar o sucesso de Lisboa numa cidade com maior densidade populacional e gastronómica”.
Outras cidades europeias também estão na mira da Volup. “O nosso foco serão sempre cidades com densidade populacional e poder de compra”, afirma, garantindo que “há um mercado gigante” à sua espera. “As plataformas que existem focam-se no mass market, nós na qualidade e o nosso serviço é único, não há ninguém a fazer o que nós fazemos”, realça.
Daqui a 5 anos, Álvaro Meyer vê-se, então “noutras cidades e a trabalhar com muitos mais restaurantes e chefs”. O crescimento da empresa passa também por “pop-ups e masterclasses com chefs renomados”. Além disso, querem também apostar na venda de mais produtos gourmet que os próprias restaurantes e chefs desenvolvem para quem deseja cozinhar em casa.
O grande desafio é crescer sem perder a qualidade do serviço e lidar com a complexidade logística. A tecnologia também pode dar uma ajuda. “Queremos integrar IA na aplicação para que os clientes tenham uma experiência mais personalizada e automatizar a resolução de problemas”. Contudo, “o contacto humano nunca será substituído”, garante Álvaro Meyer.