Congelar o pão é um hábito comum em muitos lares brasileiros, além de estender o tempo de consumo em praticamente seis meses, o ato pode deixá-lo mais saudável. O congelamento pode alterar a forma como o corpo absorve o amido do pão, tornando a refeição mais leve para quem busca controlar a glicose ou diminuir picos de fome.

Entretanto, especialistas dizem que o benefício não serve para todas as pessoas.

— Congelar não transforma o pão em um alimento “saudável” por si só. Não elimina glúten ou neutraliza o excesso de ultraprocessamento. O efeito é quantitativamente modesto, mas clinicamente relevante no contexto correto — afirma a nutricionista materno infantil Juliana Galvão.

Segundo a nutricionista, quando pães ricos em amido, como: pão francês, pão de forma, pão branco ou integral comum, são congelados e depois descongelados e/ou tostados, ocorre um fenômeno chamado Retrogradação do amido.

Isso faz com que ele se transforme em amido resistente, um tipo de carboidrato que o organismo digere mais lentamente.

— Durante o congelamento e o resfriamento, parte do amido gelatinizado se reorganiza e forma-se amido resistente tipo 3 (AR3) que é uma fração do amido que não é digerida no intestino delgado e chega ao cólon, onde é fermentada pela microbiota, atuando de forma semelhante a uma fibra prebiótica — explica Galvão.

Ou seja, alimenta bactérias benéficas do intestino e contribui para um trânsito intestinal mais equilibrado. Isso torna o pão congelado uma alternativa interessante para quem quer manter a dieta mais estável.

Por causa dessa mudança, o pão congelado costuma gerar um aumento menor de glicose no sangue em comparação ao pão fresco. Nutricionistas explicam que essa digestão mais lenta ajuda a prolongar a sensação de saciedade e evita picos energéticos seguidos de fome rápida.

O pão, especialmente se for tostado após o descongelamento, pode sim reduzir o índice glicêmico da refeição e melhorar a saciedade em algumas pessoas, fazendo-as se sentir mais satisfeitas.

Porém, Galvão, afirma que os estudos são novos e que não funciona para todos os indivíduos e que depende do organismo de cada pessoa.