O presidente da comissão executiva do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, pediu que a “investigação vá até ao fim para ter a certeza completa” sobre as circunstâncias em que morreu o português Pedro Ferraz dos Reis, administrador nomeado pelo BPI para o banco que tem em Moçambique (em parceria com a CGD), o BCI. E revela que o administrador já tinha apalavrado com a gestão do BPI continuar em Moçambique por mais tempo (mais um mandato, pelo menos).
Sendo alguém que conhecia “há mais de 20 anos”, João Pedro Oliveira e Costa, na primeira vez que falou publicamente sobre o caso, diz ter ficado “completamente chocado com a sua morte”, que foi considerada um suicídio pelas autoridades, depois de inicialmente terem informado que poderia ter sido um homicídio.
Neste momento posso dizer que tinha elevadíssimas qualidades profissionais e pessoais, gostava muito de Moçambique, era muito respeitado, só posso ter uma memória muito positiva e claramente fiquei muito abalado”, afirmou o líder do BPI.
“Sobre as circunstâncias [da morte] elas devem ser as autoridades competentes a investigar e tirar as suas conclusões”, acrescentou, agradecendo ao Presidente da República e ao Governo “por todo o apoio que prestaram” neste processo. João Pedro Oliveira e Costa falou em conferência de imprensa de apresentação dos resultados anuais do banco, em Lisboa.
Além de manifestar o “enorme respeito pela família, uma mulher e duas filhas que estavam a acompanhar o pai”, João Pedro Oliveira e Costa repetiu que foi “um enorme abalo”. O presidente do BPI confirmou, também, que Pedro Ferraz dos Reis tinha já comunicado que gostaria de continuar no banco em Moçambique, algo que foi dito com toda a tranquilidade à gestão do banco em Lisboa.
“Havia grande confiança no Dr. Pedro Ferraz dos Reis e ele mostrou vontade e gosto de continuar, tinha paixão por Moçambique”, acrescentou João Pedro Oliveira e Costa.
Pedro Ferraz dos Reis suicidou-se, concluem PJ e Serviço de Investigação Criminal de Moçambique
Pedro Ferraz dos Reis, que apareceu morto no hotel Polana, em Maputo no dia 19, tirou a sua própria vida, concluíram a Polícia Judiciária e o Serviço de Investigação Criminal de Moçambique (Sernic), em conferência de imprensa na capital moçambicana, na véspera do funeral do administrador português do banco BCI.
“Do que foi observado não nos parece restarem grandes dúvidas de que houve ali um suicídio”, respondeu o inspetor-chefe da PJ, Santos Martins, a um jornalista, no período das perguntas. Antes disso, já o diretor-geral do Sernic tinha dito que as duas autoridades judiciais tinham “confirmado e consolidado o resultado que a investigação moçambicana avançara no dia 20, o dia a seguir à morte de Pedro Ferraz dos Reis.
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