O Casa Pia impôs esta segunda-feira, no fecho da 20.ª jornada, o primeiro desaire ao FC Porto na Liga, uma derrota por 2-1, em Rio Maior, onde a equipa da “casa” conseguiu marcar duas vezes nas duas únicas situações da primeira parte e mostrou, depois, a capacidade de resistir mesmo sofrendo um golo no regresso das cabinas.
Com este resultado, o FC Porto vê a vantagem para o Sporting reduzida a quatro pontos (nove para o Benfica) antes do clássico do Dragão com os bicampeões nacionais, aumentando a tensão e temperatura de um duelo que pode relançar as contas do campeonato.
Mas como aconteceu este deslize? No primeiro ataque, o Casa Pia marcou, surpreendendo o líder do campeonato, que já não sofria qualquer golo na Liga desde 15 de Dezembro, quando venceu (3-1) o Estrela da Amadora.
Durante os 12 minutos iniciais, o FC Porto submetera o adversário a uma pressão permanente, por vezes sufocante… Prenúncio de um golo que só não surgiu porque o ataque, em especial Borja Sainz e Samu, revelou total inabilidade para consumar esse domínio, desperdiçando um bom par de ocasiões, com escorregadelas à mistura na hora encarar a baliza.
Depois do golo, o Casa Pia voltou à forma inicial, submetendo-se ao jugo portista, embora sem passar por momentos de especial apuro. Pelo menos até aos 35 minutos, depois de os “locais” terem conseguido desdobrar o 5x4x1 em 3x4x3 para testar a famosa organização defensiva portista.
Na resposta, Gabri Veiga surgiu na meia-lua a obrigar Patrick Sequeira à primeira grande intervenção. O jogo caminhava para o intervalo com um falso alarme disparado por Borja Sainz, que teve um golo (bem) invalidado, por posição irregular.
Mas a primeira parte reservara mais um momento de choque para os portistas, mesmo em cima dos 45 minutos. Na sequência de um livre, Thiago Silva marcou na própria baliza, accionando os alarmes no reino do Dragão.
Em resumo, o FC Porto assumiu a despesa, investiu no ataque, mas foi traído em dois momentos que ninguém previra, sofrendo tantos golos em 45 minutos, frente ao antepenúltimo, como nos dez jogos anteriores realizados na condição de visitante.
Para o Casa Pia, que neste cenário era promovido a 15.º da tabela, deixando a zona de play-off de despromoção, uma vantagem de dois golos dava esperança num desfecho positivo, mas não era ainda segura. O ainda fresco empate com o “lanterna vermelha” AFS, depois de estar a a vencer por 3-0, era suficiente para lembrar que a primeira vitória caseira da época na Liga não estava garantida.
Até porque pela frente estava o líder isolado da prova, que regressou das cabinas decidido a rectificar os erros da primeira parte. Pablo Rosario, que já tinha estado em destaque no início do jogo, assumiu a batuta e reduziu na primeira investida, antes de o cronómetro marcar um minuto.
Um golo com a participação directa de Alberto Costa, chamado a render Martim Fernandes no segundo período. Estava dado o tom e Thiago Silva ameaçou marcar na segunda vaga, falhando por pouco a redenção.
O FC Porto continuou a forçar, mas Patrick negou o segundo a Gabri Veiga. Farioli chamava Froholdt e William Gomes antes de arriscar tudo com Pietuszewski e Deniz Gül, que testou os reflexos de Patrick, com o guarda-redes a garantir a vantagem.
A expulsão de William Gomes, por conduta violenta, complicava a missão portista, mas não aliviava o garrote do Casa Pia, que se agarrava com todas as forças a um resultado inédito em casa.
Até final, até foi o Casa Pia a ficar mais perto do 3-1, com um par de ocasiões desperdiçadas frente a um FC Porto desesperadamente em busca do empate que não conseguiu.