Portugal foi atingido por uma sucessão de tempestades ao longo da última semana e continua a registar estragos, sobretudo no centro do país.

Com centenas de pessoas a necessitar de apoio imediato, voluntários, câmaras municipais e autoridades nacionais têm disponíveis plataformas online com o objectivo de recolher ajuda, informar a população e reunir registos fotográficos dos danos causados, de forma a apoiar o trabalho das entidades competentes e criar redes de apoio quando os meios não são suficientes.

Tempestade SOS

A Tempestade SOS foi lançada como uma resposta digital imediata com o objectivo de aproximar quem precisa de apoio de quem está disponível para ajudar. A plataforma, criada por Ricardo Paiágua e divulgada por Raquel Garcez Pacheco, funciona de forma simples e acessível para que qualquer pessoa possa, em poucos minutos, pedir ajuda” ou “querer ajuda”, preenchendo um formulário com o tipo de necessidade ou oferta e a sua localização. A partir daí, o sistema faz automaticamente a ligação entre os pedidos e as ofertas, privilegiando a proximidade geográfica e facilitando respostas mais rápidas e humanas.

“Aqui ninguém fica para trás” é o lema do projecto que permite também reportar necessidades essenciais como energia, água, abrigo, comunicações e transporte, que muitas vezes se tornam urgentes após intempéries severas. Oferece ainda apoio material ou logístico, incluindo bens essenciais, alojamento temporário, mão-de-obra, apoio técnico, geradores, combustíveis e materiais de construção.

A Tempestades SOS exibe, directamente no site, alertas meteorológicos em vigor, como aviso de chuvas, ventos fortes e outros fenómenos, com o objectivo de ajudar a população a perceber a evolução das condições climáticas locais.

Foi construída por uma equipa de voluntários com experiência em inteligência artificial e comunicação de crise, motivada pela escala dos danos e pela necessidade de uma resposta solidária organizada. Segundo Ricardo Paiágua, a Tempestade SOS já permitiu apoio directo a 112 pessoas.

Em declarações ao P3, Ricardo Paiágua salientou a importância de reforçar recursos essenciais, como geradores e lonas. Criticou ainda o custo das portagens que muitos voluntários enfrentam para chegar às áreas mais atingidas, um factor que considera um entrave desnecessário à solidariedade em situações de emergência.

Estragos

O site Estragos é uma iniciativa da Câmara Municipal de Leiria e consiste num repositório de fotografias que pretende ajudar as entidades competentes a obter um “retrato completo e rigoroso da situação no terreno”. A plataforma, criada com apoio da Tekever e com recurso ao sistema ATLAS, permite a submissão de imagens já captadas ou a recolha imediata de fotografias através de uma ligação directa à câmara do dispositivo utilizado.

Segundo os criadores, o objectivo é “identificar rapidamente as zonas mais afectadas”, contribuir para os processos de recuperação e reconstrução e apoiar a tomada de decisão por parte de entidades como seguradoras ou a Protecção Civil. A plataforma aceita fotografias de estradas danificadas ou obstruídas, inundações, habitações ou infra-estruturas danificadas e árvores caídas ou deslizamentos de terra.

ANEPC

A Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil disponibiliza também uma plataforma própria com informação actualizada sobre o número de ocorrências registadas, as condições meteorológicas e os meios humanos e terrestres mobilizados, permitindo ainda a verificação da hora, local e tipologia de cada ocorrência.

SNIRH

O Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos pode ser também uma plataforma útil na identificação de zonas com risco de cheias e inundações, permitindo acompanhar em tempo real os níveis de precipitação, caudais e a evolução hidrológica dos cursos de água, informação essencial para apoiar a prevenção e a resposta a emergências.