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María Corina Machado não estava entre as favoritas ao Prémio Nobel da Paz de 2025 nem o seu nome constava das listas de especialistas ou das principais casas de apostas. De repente, tudo mudou: pouco antes do anúncio oficial, a líder da oposição venezuelana era dada como vencedora provável no Polymarket, um site de apostas famoso.

O facto não passou despercebido entre os organizadores do prémio, que em Outubro do ano passado iniciaram uma investigação interna para determinar se algum membro do comité tinha divulgado informações sensíveis ou se os protocolos da instituição tinham sido violados.

As conclusões chegaram na sexta-feira e a investigação confirma a fuga de informação e aponta para um ciberataque como causa mais provável para o sucedido. “Considerando que vários agentes investiram quantias significativas [perto de dois milhões de euros] em sites de apostas horas antes do anúncio, podemos afirmar com certeza que houve quem tenha conseguido obter informações ilegalmente”, confirmou o porta-voz do Instituto Nobel da Noruega, Erik Aasheim, em comunicado.

María Corina Machado foi anunciada como vencedora a 10 de Outubro por volta das 11h00, e as apostas que despertaram as suspeitas foram feitas num curto espaço de tempo. Se onze horas antes da decisão oficial, à meia-noite, a probabilidade de vitória era de 3,7% no Polymarket, menos de duas horas depois a probabilidade subia para 73,5%.

“Não conseguimos determinar como as informações foram obtidas, nem sequer conseguimos identificar quem as obteve, se um agente estatal ou privado”, reconhece o diretor do Instituto Nobel, Kristian Berg Harpviken, que afastou a responsabilidade de qualquer um dos cinco membros do comité que atribui o prémio.

Os motivos do ciberataque, políticos ou financeiros, também não são claros. “Parece que fomos vítimas de um agente criminoso que quer lucrar com as nossas informações”, acrescentou”.

Depois de terem sido identificadas vulnerabilidades no sistema que gere a informação, o Instituto Nobel anuncia agora que vai tomar medidas para se proteger contra ameaças externa.

O Instituto Nobel já tinha sido alvo de vários ataques cibernéticos em 2010, depois da atribuição do prémio ao dissidente chinês Liu Xiaobo. Na altura, foi disseminado um vírus através de convites falsos para a cerimónia e houve ataques ao site oficial da organização.

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