O relógio marcava cinco da manhã quando António Oliveira recebeu uma chamada da esposa. Dina tinha viajado para a Marinha Grande para tratar de umas burocracias, e o marido estava em Estugarda, na Alemanha, onde vivem há 36 anos. À distância, ouviu o desespero e a aflição da mulher, sem perceber bem o que estava a acontecer. Depois da madrugada do temporal, a zona Centro do país ficou isolada do mundo, incontactável, e António esteve quase 48 horas sem ter notícias da mulher. “Decidi logo que tinha de vir, mas ainda demorei dois dias a comprar o voo, porque não conseguia ter contacto com ela e não sabia o que era preciso trazer para cá”, explica o emigrante de 63 anos.