As medidas que o Governo apresentou para responder aos efeitos da tempestade Kristin nos distritos do centro do país são importantes, mas podem não ser suficientes. Ainda não é possível fazer um inventário total, até se prevê a vinda de mais temporais nos próximos dias, e há situações de empresas já afectadas em que se pode não ter ainda ideia da noção dos danos. Esta é a opinião do presidente executivo do Banco BPI, João Pedro Oliveira, relativamente ao anúncio feito pelo Governo, neste domingo, de um pacote de instrumentos, como moratórias no pagamento de empréstimos, que vem definir um padrão mínimo de medidas ao sector, que vinha já publicitando grupos de apoios.
“Não temos ainda bem a noção, não vi nenhuma avaliação concreta do impacto e da amplitude deste mesmo impacto”, começou por dizer o responsável do BPI na conferência de imprensa nesta segunda-feira, 2 de Fevereiro, agendada para o anúncio de quebra de 13% do lucro em 2025, mas que acabou por se centrar, muito, no tema dos efeitos da tempestade que atingiu o país a 28 de Janeiro.
“Numa primeira fase, o mais importante era pôr medidas com alguma dimensão, e o Governo fez um esforço”, opinou o banqueiro, frisando que algumas das iniciativas anunciadas podem ser agarradas “já”, “o que alivia a tesouraria”. O Conselho de Ministros aprovou um decreto-lei para moratórias de 90 dias para particulares, no caso de habitação própria e permanente, e para empresas; bem como as linhas de crédito por via do Banco Português de Fomento, que têm de ser operacionalizadas pelos bancos comerciais, como o BPI.
“Se é suficiente? As medidas foram uma reacção com significado, têm impacto. Se será suficiente, vamos ver, parece que a situação ainda não acabou, a chuva não acabou, só [se saberá com] um rescaldo mais perto”, admitiu Oliveira e Costa. “Poderá eventualmente ter de haver mais medidas. Estamos numa fase de algum inventário, de perceber a dimensão.”
BPI admite apoiar empresas sem sede nos concelhos
Para já, o quinto maior banco português, o BPI, ainda não tem montantes definidos sobre o que poderá ter de enfrentar para estas moratórias de 90 dias (que em alguns casos podem ir até 12 meses), em que os clientes podem não pagar as suas prestações. “Há uma boa notícia, já temos experiência disto”, disse Oliveira e Costa, relembrando o caso da pandemia de covid-19.
No caso da resposta a clientes particulares, “é mais simples”. “Depois, o lado das empresas não é tão linear”, admitiu. Ainda não há diploma publicado, mas não se sabe se as medidas para apoio a empresas serão por via do código postal da sua sede, ou para qualquer uma que tenha ali actividade que foi penalizada. “Mesmo empresas que não tenham a sede naquele local, mas que tenham unidades de produção, iremos olhar e apoiar”, prometeu o banqueiro. O valor será sempre “bonificado”, seja em custo para o cliente, seja em termos de prazo.
Para já, é preciso operacionalizar tudo — “Não é estalar os dedos, é [saber] para quem [vai a ajuda], como, etc.” Segundo o presidente executivo, o BPI está a contactar com as empresas suas clientes, para perceber as necessidades. Nem isso está fácil — o banco tem ainda cinco balcões fechados, por falta de energia ou electricidade.
Oliveira e Costa disse ainda que a Fundação La Caixa, do grupo espanhol seu accionista, disponibiliza dois milhões de euros a instituições de solidariedade social, para estas poderem ajudar quem não tem acesso a financiamento bancário.
Bancos publicitam apoios
Oliveira e Costa falou sobre o assunto em conferência por conta da apresentação de resultados anuais do BPI, mas os bancos vinham-se alinhando a publicitar medidas de apoio às empresas e famílias desde a semana passada, algumas das quais depois replicadas – e tornadas vinculativas – pelo Governo no pacote que anunciou.
A Caixa Geral de Depósitos, o Banco Comercial Português e o Novo Banco estão entre os bancos que já divulgaram medidas, muitas centradas na isenção de comissões e de spreads zero nos créditos que possam facultar. O Bankinter e o Abanca também se juntaram, com medidas e promessas de acompanhamento aos clientes nas regiões.
(Notícia corrigida para rectificar que o nome da fundação do grupo catalão é Fundação La Caixa)