Um artigo científico, de que é coautor David Rodrigues, professor da Escola Superior Agrária do Politécnico de Coimbra (ESAC-IPC), apresenta os resultados de uma investigação centrada nas ligações entre o ambiente, o movimento animal e a dinâmica das doenças infeciosas nas aves aquáticas, que estão entre os principais hospedeiros selvagens dos vírus da gripe aviária. Intitulado “Waterfowl Move Less in Heterogeneous and Human-Populated Landscapes, With Implications for Spread of Avian Influenza Viruses”, o artigo acaba de ser publicado pela editora Wiley, em Ecology Letters (acesso aberto).

Baseando-se no pressuposto de que os movimentos dos animais contribuem para a propagação de doenças infeciosas e são impulsionados, em parte, pelas condições ambientais, o vasto conjunto de investigadores combinou dados de telemetria de 4.606 indivíduos de 26 espécies de aves aquáticas com os dados sobre a cobertura do solo, clima e vegetação.

Os dados permitiram apurar que as aves aquáticas se movimentavam menos em áreas com maior heterogeneidade de cobertura do solo e maior densidade populacional humana. Além disso, as distâncias previstas de movimento das aves aquáticas apresentaram uma correlação fraca, mas positiva, com as distâncias entre as deteções da gripe aviária H5N1 altamente patogénica em aves aquáticas selvagens, sugerindo que as condições ambientais podem contribuir efetivamente para a propagação desta doença através dos seus efeitos sobre os movimentos das aves.

Acessível na íntegra em https://doi.org/10.1111/ele.70265, este trabalho de investigação, ao considerar os movimentos da vida selvagem juntamente com outros fatores que impulsionam a dinâmica das doenças infeciosas, tais como a produção pecuária e a mobilidade humana, vem funcionar como instrumento de auxílio na previsão de surtos e na definição de intervenções para prevenção de contágio.