
No cenário base, que considera a continuidade das tendências existentes, a emissão por quilo de carne cairia de cerca de 80 kg de CO₂ para 16,1 kg, uma queda de quase 80%
Um levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV), feito em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), revela que a pecuária brasileira tem potencial para cortar suas emissões de dióxido de carbono por quilo de carne em 79,9% até 2050 se mantidas as práticas atuais de produção e manejo. Em cenários com maior adoção de tecnologias e políticas climáticas, a redução pode chegar a 92,6% no mesmo período.
O estudo destaca quatro trajetórias de descarbonização do setor até meados do século. No cenário base, que considera a continuidade das tendências existentes, a emissão por quilo de carne cairia de cerca de 80 kg de CO₂ para 16,1 kg, uma queda de quase 80%. Cenários mais avançados incluem metas públicas como zerar o desmatamento até 2030 e ampliar soluções de baixo carbono, como recuperação de pastagens degradadas e uso de aditivos para reduzir fermentação entérica.
O potencial de redução de emissões ocorre mesmo com o crescimento da produção, segundo os pesquisadores, que apontam ainda que a produtividade do setor aumentou cerca de 183% desde 1990, enquanto a área de pastagens diminuiu 18% no período. Para especialistas, isso mostra que é possível conciliar expansão da atividade com menores impactos ambientais.
O relatório também enfatiza a importância de políticas públicas e de mecanismos de incentivo para acelerar a adoção de práticas sustentáveis no campo, além de ferramentas de rastreabilidade e financiamento que tornem economicamente viáveis investimentos em tecnologias de baixa emissão.
O estudo sinaliza que a pecuária brasileira pode desempenhar um papel relevante nas metas climáticas do país e contribuir de forma significativa para a redução dos gases de efeito estufa no setor agropecuário até meados do século.