Já está nomeada. A próxima tempestade a afetar Portugal, com chuva intensa, vento forte, alguma neve e novamente agitação marítima, chama-se Leonardo. Foi batizada pela delegação dos Açores do IPMA porque afetará primeiro as ilhas açorianas antes de chegar ao continente. Com ela chega um enorme rio atmosférico, que lhe fornecerá um extra de humidade, prolongando e intensificando a chuva.

A Leonardo far-se-á sentir, assim, logo na madrugada de quarta-feira, com um aumento do vento e da ondulação, em todas as ilhas açorianas. As rajadas podem chegar aos 110 km/h nos grupos Ocidental e Central e aos 100 km/h no Grupo Oriental. As ondas atingirão os 10 metros no grupo Ocidental (podendo a onda máxima chegar aos 19 metros), os 9 metros no grupo Central e os 8 metros no grupo Oriental.

Foram já emitidos vários avisos, sendo os mais graves, o vermelho, de agitação marítima para o grupo Ocidental, e o laranja, de vento, para os grupos Ocidental e Central.

Na Madeira, a partir desta terça de manhã, a chuva será intensa e prolonga-se até quinta-feira. Há também vento forte, com rajadas até 85 km/h, e nas terras altas até 95 km/h. A agitação marítima terá ondulação até 7 metros. A ilha está com alertas laranja e amarelo.

No Continente, a principal superfície frontal associada à Leonardo deve chegar na madrugada e dia de quinta-feira, novamente com muita chuva, vento forte e agitação marítima complicada, além de alguma neve. A tempestade está inserida numa vasta região depressionária onde irão formar-se vários núcleos nos próximos dias. Mas os primeiros efeitos chegam ao sul já ao final desta terça, com o Baixo Alentejo e o Algarve com precipitação persistente e por vezes forte e rajadas de vento que podem atingir 75 km/h no litoral e 95 km/h nas terras altas.

Esse sistema frontal irá depois estender-se gradualmente às restantes regiões do continente na quarta-feira, que já será de muita chuva, com o IPMA a prever em comunicado que o período com valores acumulados de precipitação mais elevados e vento mais intenso seja então na noite de 4 para 5. Na quinta a chuva intensa irá passando para o regime de aguaceiros, que poderão ser de granizo e acompanhados de trovoada, com queda de neve acima de 1500/1600 metros, baixando gradualmente a cota para 1200/1400 metros, e com enfraquecimento temporário do vento entre a tarde de quinta e a manhã de sexta-feira.

Os maiores valores acumulados de precipitação deverão registar-se nas regiões montanhosas do norte e centro, podendo, entre terça e sexta-feira, atingir 150 a 250 mm (litros/m2) em alguns locais.

As ondas serão de oeste até 6 metros de altura significativa na costa ocidental, podendo atingir 11 metros de altura máxima, diminuindo temporariamente entre a tarde de dia 4 e a manhã de dia 5.

Como, ao mesmo tempo, a Península Ibérica estará a ser afetada por um enorme rio atmosférico vindo diretamente do Golfo do México, carregado de vapor de água, a queda intensa de chuva será potenciada. Na prática, este rios atmosférico são como rios de vapor de água, suspensos na atmosfera, vindos da zona das Caraíbas, que transportam enormes cargas de humidade dessas latitudes tropicais para as nossas latitudes. São responsáveis pelo transporte de grande parte do transporte de vapor de água do sul para norte, num equilíbrio atmosférico. Só que quando uma tempestade, como é o caso da Leonardo, recebe este abastecimento extra de humidade as chuvas tornam-se mais intensas e duradouras, fazendo com que o risco de inundações seja maior.

Os valores de vapor de água são extremos do rio atmosférico que nos vai atingir é de 1300 kg·m, o que pode fazer com que a acumulação de chuva (toda a chuva que cair num dia) supere os 200 mm em 24 horas, o normal em três dias chuvosos. O que acontece é que esse vapor de água é, como o nome indica, quente, e embate contra o ar frio junto à costa e contra o mesmo ar frio das frentes da tempestade, fazendo com que arrefeça rapidamente, desça e cause não só a chuva intensa, como os ventos fortes.

Desta vez, a zona mais atingida será sobretudo a zona sul.

Até lá, continuará a haver chuva. O IPMA emitiu para os distritos de Faro, Setúbal e Beja aviso amarelo por causa da chuva por vezes forte e persistente entre as 18h00 de terça e as 15h00 de quarta-feira e as 21h00 de quarta-feira e as 09h00 de quinta-feira.

O IPMA colocou também os distritos de Santarém, Lisboa, Leiria, Castelo Branco, Coimbra e Portalegre sob aviso amarelo devido à previsão de chuva por vezes forte e persistente entre as 21h00 de quarta-feira e as 09h00 de quinta-feira. Os distritos de Faro, Setúbal, Lisboa e Leiria vão estar também entre as 21h00 de terça e as 12h00 de quarta-feira com aviso amarelo e entre as 06h00 e as 15h00 de quinta-feira face ao vento forte esperado, prevendo-se rajadas até 70/80 km/h e até 95 km/h nas serras.

Por causa do vento forte com rajadas até 90 km/h e até 100 km/h nas serras, o IPMA emitiu aviso amarelo para os distritos de Bragança, Viseu, Évora, Porto, Guarda, Faro, Vila Real, Setúbal, Santarém, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Beja, Castelo Branco, Aveiro, Coimbra, Portalegre e Braga entre as 06h00 e as 15h00 de quinta-feira. O instituto colocou também os distritos de Viseu, Porto, Guarda, Vila Real, Viana do Castelo, Aveiro, Castelo Branco, Coimbra e Braga sob aviso laranja devido à queda de neve acima de 800/1000 metros até às 18:00 de terça-feira.

Sob aviso laranja estão também os distritos do Porto, Faro, Setúbal, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Beja, Aveiro, Coimbra e Braga por causa do estado do mar até às 00h00 de terça-feira e entre as 12h00 e as 19h00 de quinta-feira, prevendo-se ondas de noroeste com 5 a 6 metros, podendo atingir 11 metros de altura máxima.

Quanto à mudança de padrão atmosférico, nada de novo. A chuva está para durar e este carrossel de tempestades também, já que têm aberta uma verdadeira autoestrada no Atlântico em direção à Península Ibérica. Culpa do bloqueio anticiclónico que se mantém na escandinávia, do posicionamento e enfraquecimento do anticiclone dos Açores e do fluxo de ventos polares em latitutes tão baixas.

Por isso sol só para depois de dia 15, mas é melhor nem isso contar.

Artigo atualizado às 8h50 de terça-feira com os avisos meteorológicos do IPMA

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