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Uma coisa sabemos, os episódios são violentos e cada vez mais frequentes e extremos, uma tendência em parte associada às alterações climáticas. A maioria destes eventos envolve ventos fortes, chuvas intensas e inundações, mas a forma como são registados (ciclone, tempestade atlântica, depressão profunda) pode variar.

Compilar um número exato de todos os temporais que ocorreram em Portugal nos últimos 100 anos — com localizações precisas, impactos materiais e vidas perdidas — nem sempre é fácil, quer em termos de classificação, quer de registo. Além disso, as perdas nem sempre foram avaliadas de forma sistemática. Em alguns casos e informação é escassa.

De todos os desastres naturais, as cheias são as que têm maior impacto social, não só pela perda de vidas humanas como pelos danos materiais que provocam. Em Portugal, as inundações e cheias representam o risco natural de maior frequência e correspondem a perto de cerca de 80% das indemnizações por catástrofes naturais.

A lista que publicamos exclui eventos menores e temporais não extraordinários que podem ter causado danos localizados e baseia-se em registos oficiais.

1941, 15 de Fevereiro – Ciclone explosivo

É considerada a maior de todas as tempestades, um dos ciclones extra-tropicais mais violentos registados em Portugal no século XX. Veio do Atlântico e varreu o país de sudoeste para nordeste, com ventos da ordem dos 150 km/h (na Serra do Pilar, Porto, há registo de rajadas até cerca de 167 km/h).

O fenómeno, uma depressão muito profunda (ciclogénese explosiva, afetou diversas regiões costeiras, incluindo Lisboa, Porto e Algarve. Coimbra, Guarda, Serra da Estrela (Penhas Douradas), Pinhal de Leiria/Marinha Grande, Estuário do Tejo, Santiago do Cacém e Portimão (Praia da Rocha) foram zonas particularmente massacradas. O ciclone fez mais de 100 mortos (estimativas variam) e um número indeterminado de feridos.

Pelo caminho, as rajadas de vento fizeram voar telhados de casas, de instalações agrícolas e fabris, arrancaram árvores pela raiz e partiram centenas de outras, algumas caíram sobre habitações e em estradas que ficaram intransitáveis. As redes elétrica, de telégrafo e de telefone também ficaram seriamente danificadas e o fornecimento de energia e comunicações foi interrompendo, assim como parte da rede ferroviária.

1967, 25-26 de Novembro – Cheias

Afetou principalmente a região de Lisboa, especialmente municípios de Lisboa, Loures, Odivelas, Vila Franca de Xira e Alenquer. Morreram 462 pessoas (há quem indique entre 500 a 700 vítimas mortais — recorde-se que a censura proibia imagens dos mortos e alterava números), sobretudo população pobre, que morava em barracas e habitações precárias ou em zonas inundáveis.

É o desastre natural mais mortal em Portugal no século XX, um evento meteorológico severo, com chuva torrencial que levou a inundações rápidas. Milhares ficaram desalojados — 20 mil casas destruídas —, estradas foram cortadas e comunicações interrompidas. Os prejuízos foram calculados em mais de dois milhões.

Foi na linha do Estoril que choveu mais, mas o dilúvio abateu-se sobre as zonas mais degradadas da ribeira de Odivelas e as margens do Trancão. No terreno, bombeiros e estudantes mobilizaram-se para ajudar as populações mais pobres. Cruz Vermelha acode e distribui latas de sardinhas e pão a famílias que ficaram sem nada.

1979, Fevereiro – Inundações

Balanço: dois mortos, 115 feridos, 1187 evacuados. A chuva durou nove dias e afetou sobretudo a região do Vale do Tejo e Santarém. Diversas povoações ficaram isoladas. A ponte 25 de Abril esteve fechada por causa dos ventos.

Além da água das chuvas, as descargas das barragens (como Castelo de Bode e Fratel) aumentaram o caudal do Rio Tejo, que galgou as margens e provocou ainda mais estragos.

1981, Dezembro – Cheias

A região de Lisboa é a zona mais afetada: 30 mortos e mais de 900 desalojados.

1983, 19 de Novembro – Inundações

Lisboa, Loures, Cascais e Torres Vedras são dos concelhos mais afetados: dez mortos, nove pessoas desaparecidas, quase 2.000 famílias desalojadas, centenas de habitações destruídas. Os prejuízos atingem os 18 milhões de contos (hoje, qualquer coisa como 800 milhões de euros). Os muros da saída do Estádio do Jamor para o Tejo foram destruídos pela força da corrente.

2010, 20 de Fevereiro – Aluvião

A tragédia atingiu a ilha da Madeira, que viveu um dos piores momentos da sua história, quando as chuvas constantes deram lugar a uma enxurrada que deixou um rasto de destruição: perto de 50 mortos, quatro desaparecidos e 250 feridos.

Os estragos foram avaliados em mais de um milhões de euros. Funchal, Ribeira Brava, Câmara de Lobos e Santa Cruz foram os concelhos mais atingidos.

Ao longo de vários dias a chuva caiu, mas nessa madrugada a pluviosidade chegou aos 185 litros por metros quadrado no Pico do Areeiro, um dos pontos mais altos da ilha. A cidade do Funchal ficou irreconhecível e intransitável, coberta de lama, entulho e um amontoado de carros.

2010, 28 de Fevereiro – Tempestade Xynthia

Atingiu a costa oeste da Europa com ventos fortes que derrubaram árvores e linhas de energia. Fez pelo menos 55 mortos, segundo as autoridades. A França foi o país mais castigado, com 45 mortos, anunciou — em Portugal uma criança de dez anos foi atingida por um árvore e morreu.

O ciclone extra-tropical provocou inúmeros estragos e os danos materiais na Europa foram avaliados entre os dois e os três mil milhões de euros.

2013, 18 e 19 de Janeiro – Depressão Gong

Nasceu ao largo da Península Labrador, no Canadá, e foi baptizada “Gong” na Alemanha. Atravessou Portugal com ventos da ordem dos 130 km/h. Derrubou árvores derrubadas, obrigou a cortar estradas e destruiu diversas infra-estruturas destruídas.

A tempestade afetou mais de um milhão de clientes e só ao fim de quatro dias a E-Redes terá conseguido repor o fornecimento de eletricidade a cerca de 99% dos consumidores.

2018, 13 de Outubro – Furacão Leslie

Um dos ciclones atlânticos mais fortes com impacto no território português, sobretudo Algarve e centro litoral. Fez duas vítimas mortais e dezenas de feridos. Os prejuízos contabilizados ultrapassaram os 100 milhões.

Treze distritos — Setúbal, Lisboa, Leiria, Coimbra, Aveiro, Porto, Braga, Viana do Castelo, Vila Real, Castelo Branco, Viseu, Guarda e Santarém — foram colocados pelo IPMA sob aviso vermelho, vários eventos foram cancelados e diversas barras foram fechadas. As ligações fluviais Trafaria, Porto Brandão, Belém, Setúbal e Tróia foram suspensas, a TAP cancelou sete voos.

Os ventos atingiram 176 km/h. Além do corte de estradas, mais de 300 mil casas ficaram sem eletricidade e registaram-se falhas de abastecimento nas regiões de Lisboa, Pombal, Leiria e Setúbal. A Linha do Norte esteve interrompida na zona de Pombal. O distrito mais afetado por este temporal foi o de Coimbra, com destaque para a Figueira da Foz.

2020, 18 de Setembro – Tempestade Alpha

Um evento raro, sentido a norte de Figueira da Foz e zonas interiores. Uma morte indireta, prejuízos materiais de 20 milhões de euros.

Em plena pandemia (Covid-19), a tempestade subtropical Alpha foi a primeira na história da Península Ibérica. Trouxe ventos fortes e chuva intensa, provocando centenas de ocorrências, incluindo quedas de árvores, inundações urbanas e danos em estruturas. Foram confirmados pelo menos dois tornados, um em Beja outro em Palmela.

2025, 14 a 20 Março – Depressões Cláudia e Martinho

A depressão Cláudia trouxe diversos fenómenos extremos, como o tornado que atingiu Albufeira, que feriu 28 pessoas e fez uma vítima mortal, uma mulher de 85 anos. Chuva persistente, rajadas de vento de 170 km/h, ondulação marítima, estradas cortadas, carros submersos na água, um rasto de destruição. Mais de 8.000 ocorrências.

Mal refeitos de uma depressão, chega outra. A Depressão Martinho provocou, só na serra de Sintra, a queda de 98 mil árvores.

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