Sem distrações
A equipa trabalha sob o comando do adjunto de operações — passe a redundância do termo. Nas mesas, há portáteis e telefones. Numa das portas, uma placa vermelha diz “silêncio”. Tal como no “aquário”, a atenção tem de ser total e não há espaço para distrações ou para olhar para algo sem importância no telemóvel, como notificações do Instagram ou do Facebook.
No ecrã, consegue visualizar-se em tempo real onde e quantos meios estão no terreno, a previsão do tempo e as fotos e imagens enviadas por quem está no terreno, o chamado teatro de operações. Esta área, também com paredes de vidro e uma porta de cada lado, fica estrategicamente no meio, entre a grande sala de tomada de decisão e a sala onde toda a informação chega.
É a chamada Sala de Operações do Comando Nacional da ANEPC. As secretárias estão lado a lado, em formato de meia-lua. À frente e ao lado, mais ecrãs: radares do IPMA em direto, monitorização do volume de água nas albufeiras, informações sobre quem acionar em cada situação, a lista de todas as ocorrências em curso no território e o site do Sistema Europeu de Intercâmbio de Informações Radiológicas Urgentes (ECURIE). Na parede ao lado, estão televisões, cada uma sintonizada num canal.
Nesta sala trabalham operadores de telecomunicações e, consoante a situação, contam com reforço de bombeiros. É o que acontece desde a semana passada, com o aviso da depressão Kristin. Os telefones nunca param, sejam chamadas dos comandos sub-regionais ou de pessoas que querem oferecer ajuda. Também funciona o contrário: dali são feitas chamadas para fazer chegar a informação ao terreno e articular as necessidades de cada ocorrência. “É uma sala muito importante, porque recebe tudo o que está a acontecer no terreno e tem também um papel fundamental na articulação entre os diferentes patamares”, explica Daniela Fraga.
É desta sala, por exemplo, que é enviada a mensagem SMS com os alertas da proteção civil, o “AvisoPROCIV”. Antes do envio, é necessário analisar vários relatórios e as informações recebidas. Nas três salas, duas palavras são essenciais: comunicação e cooperação. “Trabalhamos sempre em cooperação e com base na comunicação que nos chega e na forma como a transmitimos cá dentro”, explica a adjunta.
Uma das entidades principais é o IPMA. “Quer nestas alturas de inverno, com situações climáticas adversas, quer no verão, a informação disponibilizada pelo IPMA é determinante para a tomada de decisões operacionais”, ressalta. A partir destas comunicações são tomadas decisões, por exemplo, sobre quantos e de onde serão enviados meios de reforço e quais as necessidades de cada zona do território.
Apesar de, nas três salas principais, existirem muitos ecrãs nas paredes, também não faltam mapas. Caso haja algum problema informático, os mapas servem de apoio. Isso exige que, quando ocorre uma situação grave, o mapa também seja atualizado, destaca o adjunto de operações nacional Bruno Borges. “Apesar de termos geradores, trabalhamos com sistemas informáticos que podem falhar, por isso fazemos também de forma manual, por prevenção”, ressalta. Os “pontos” fixados no mapa estão organizados por ordem de gravidade dos prejuízos, com um “1” em Leiria, onde a devastação foi maior.