Marius Borg Høiby, filho mais velho da princesa Mette-Marit da Noruega, declarou-se inocente das acusações de violação e violência doméstica, mas admitiu alguns crimes menos graves. A admissão de culpa do enteado do príncipe Haakon marcou o primeiro dia do julgamento nesta terça-feira, num caso que tem vindo a abalar a família real norueguesa, já em dificuldades.
O jovem de 29 anos arrisca-se a uma pena de vários anos de prisão, caso venha a ser considerado culpado dos 38 crimes que lhe são imputados, incluindo quatro violações. Sobre estes últimos, Marius declarou-se inocente, tal como manteve a mesma posição para a acusação de violência doméstica.
Contudo, declarou-se culpado de uma acusação de comportamento sexual ofensivo, de conduzir em alta velocidade e por guiar sem carta de condução válida, entre outras acusações. Marius também disse que era parcialmente culpado — uma alegação permitida pela lei norueguesa — de agressão agravada e comportamento imprudente.
Depois das declarações iniciais, Høiby voltou a sentar-se atrás de seus advogados, com as pernas a tremer e as mãos firmemente entrelaçadas.
Marius Borg Hoiby em tribunal
Ole Berg-Rusten/Ane Hem
Sem tratamento especial
O procurador principal Sturla Henriksboe disse que Høiby seria tratado como qualquer outro norueguês. “Não será tratado com mais severidade ou mais brandura por fazer parte desta família”, declarou na sua declaração inicial.
Em resposta, a advogada do jovem disse que o tratamento dado ao seu cliente tinha sido tudo menos justo, salientando “a cobertura da imprensa”, “mais de 10.000 artigos escritos sobre ele”; “Viu livros serem escritos sobre ele e mais estão a caminho”, disse Ellen Holager Andenaes. “O nosso cliente não recebeu, de forma alguma, um tratamento normal. Mas também não recebeu nenhum tratamento positivo.”
O príncipe Haakon e a mulher, Mette-Marit, já fizeram saber que não pretendem marcar presença no julgamento, que decorre até 19 de Março. Mas o herdeiro do trono não tem fugido ao tema, nem às perguntas dos jornalistas sobre o enteado, colocando o ónus na justiça e dirigindo-se às vítimas. “Sabemos que muitos estão a passar por um momento difícil”, declarou, lembrando que a Noruega é “um estado de Direito” que fará justiça.
E esclareceu o papel de Marius na realeza: “Ele não é membro da família real e, nesse sentido, é livre, embora seja uma parte importante da nossa família.”
O procurador Sturla Henriksbo e o líder da investigação Andreas Kruszewski no primeiro dia de julgamento
EPA/TERJE PEDERSEN NORWAY OUT
Família atingida por escândalos
A propósito do arranque do julgamento, uma nova sondagem aponta para a erosão no apoio dos noruegueses à sua monarquia, tradicionalmente uma das mais consensuais da Europa. O tema chegou ao parlamento da Noruega nesta terça-feira com os deputados a votarem, por esmagadora maioria, a manutenção da monarquia, rejeitando uma proposta de mudança para a República.
Mas uma sondagem de opinião realizada no início desta semana para o jornal diário Verdens Gang mostrou uma queda no número de noruegueses a favor da manutenção do regime — de 72% no ano passado para 61% — e um aumento de dez pontos percentuais para 27% no apoio à República.
Os trabalhos em tribunal iniciam-se poucos depois de Mette-Marit se ter visto envolvida num escândalo, na sequência do seu nome ter sido mencionado mais de mil vezes em trocas de e-mails do agressor sexual Jeffrey Epstein. Os dois trocaram dezenas de e-mails entre 2011 e 2014, incluindo detalhes sobre a saúde dela (que tem fibrose pulmonar) ou a vida amorosa dele, sendo que os dois chegaram a encontrar-se por várias vezes em Nova Iorque, Miami e Oslo.
A polémica com Mette-Marit e o processo judicial do seu filho, nascido antes do casamento com Haakon, em 2001. Embora Høiby não tenha título real e esteja fora da linha de sucessão, o caso é a crise mais grave da família real norueguesa nos últimos anos — depois da princesa Märtha Louise ter renunciado aos deveres reais em 2022 para se casar com o xamã norte-americano Durek Verrett.